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Dia Mundial da Criança

Celebrou-se, ontem, dia 1, mais um dia Mundial da Criança. Eu não queria ser pessimista nem negativa, mas a verdade é que nem mesmo nesse dia deixa de haver relatos de maus tratos físicos e psíquicos às crianças.

Maria Fernanda Barroca
2 Jun 2012

A televisão gasta tempo de antena a rodos para informar (ou confundir?) os ouvintes com julgamentos que envolvem ou envolveram sevícias praticadas sobre crianças; quando elas são postergadas pelos nossos governantes, que em nome de uma política economicista, são capazes de fechar escolas, obrigando crianças pequenas a fazer madrugadas e a chegar tarde a casa sem tempo para brincar ou descansar; quando os hospitais pediátricos se contam pelos dedos e ainda sobram dedos e nos Centros de Saúde nem sempre se encontra um pediatra; quando o apoio às crianças com qualquer problema é praticamente nulo e só conseguem vencer as que têm meios económicos suficientes, etc., etc., etc., é bom que alguém levante a voz em sua defesa.
Isso fazem os nossos Bispos e não só, pondo assim em prática aquilo que Jesus disse: “Tudo o que fizeres a um dos Meus mais pequeninos, a Mim o fizestes”.
Não é de agora, mas de sempre, que para as primeiras comunidades cristãs, as crianças órfãs ou com qualquer deficiência ou vítimas de maus tratos, foram objeto de desvelos. Os seus direitos foram defendidos e a Igreja esteve ao lado das famílias sobretudo nos momentos mais dramáticos.
A família tem um lugar essencial no desenvolvimento das crianças e, lamentavelmente, em certas situações, vê-se na necessidade de passar o seu papel para instituições que, embora excelentes, não são a família. Assim, toma um lugar de relevo, nestes casos, a adoção considerada como um serviço a uma criança em necessidade e nunca como um direito de propriedade. Têm vindo a aumentar os casos de conflitos entre famílias de acolhimento e famílias candidatas à adoção. As primeiras nunca se podem candidatar à adoção e nós vemos crianças acolhidas e amadas que, a dado momento, são «arrancadas» aos braços de quem sempre as criou e a elas se afeiçoou, para serem entregues por adoção a pessoas estranhas, sem atentarem nos superiores interesses das crianças. Lamentável que a burocracia vença o bom senso. 
Com isso não menosprezo as instituições viradas para o apoio às crianças, mas reconheço que não é possível nelas criar um atendimento personalizado. É melhor do que o abandono ou a exploração de que são objeto, sobretudo se a família não tem possibilidades económicas.
Nas instituições, a par dos cuidados materiais, há a atenção para a sua formação inteletual, moral e religiosa (se as instituições pertencem à Igreja), enquanto que numa família carenciada de bens essenciais não há tempo para as crianças e estas muitas vezes são usadas ou na mendicidade ou no trabalho clandestino para aumentar o rendimento familiar.
Referi-me às instituições ligadas à Igreja, mas atualmente têm aparecido parcerias destas com o Estado ou com as autarquias locais, sobretudo para as crianças em risco, com evidentes benefícios.
Seguindo o que Jesus sempre pregou e pôs em prática, as crianças precisam para o seu correto desenvolvimento de muito afeto autêntico e não institucionalizado, uma ternura constante que favoreça a sua felicidade. Nada mais dramático do que ver, na televisão, os olhitos das crianças vítimas das guerras e do terrorismo, que gera a orfandade. Quando pequeninas, sofrem fisicamente; quando já mais crescidas, sofrem também o medo do que lhes pode acontecer.
Não quero deixar de referir algo de muito dramático – os maus tratos infligidos aos filhos pelos próprios pais. Crianças de meses que aparecem nos serviços de urgência com sinais evidentes de pancada, que muitas vezes as leva à morte. São casos, a meu ver patológicos, uma vez que nem os animais irracionais são capazes de fazer mal às crias.
Afeto, ternura, mimo, atenção, cuidados, etc., nunca são demais se não quisermos hipotecar o futuro das nossas crianças.
Mas, se o aborto é o principal ataque às crianças não nasci-
das, mas que já são «pessoas», agora estamos a assistir a algo de novo: «o aborto pós-parto». Quer dizer, se a «encomenda» não vem ao gosto dos autores, pois mata-se logo depois de nascer. Eu sempre ouvi chamar a isso “infanticídio”, mas para atenuar o impacto, mudam-lhe o nome. A verdade é que matar, antes ou depois do parto é sempre um assassinato, que a Igreja condena com a ex-comunhão de todos quantos, direta ou indiretamente, intervêm no crime.




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