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Compasso do Tempo

Há névoas sobre o mundo político português e, conforme os media, sobre o próprio Vaticano.Lembro-me de um almoço em Paris, há cerca de quarenta anos, em que um leigo francês, virando-se para mim e para outro padre português, nos alertava para o que éramos para o mundo: simplesmente uns “corvos”, enquanto gente vestida de preto (já não era o caso) e anunciadores de maus presságios. Corvos!
Mal imaginava que tal designação viria a atribuir-se aos conspiradores e aos metediços da comunicação social!

D. Januário Torgal Mendes Ferreira
2 Jun 2012

Por mais leituras que por aí grassem, expliquem-me como se organizam escritos sobre a vida privada de responsáveis, numa devassa de tal ordem que, sem pôr em causa a incumbência das secretas, nos fica a impressão de que métodos pidescos estão de volta! A ausência de princípios morais, a frequência de ambientes de luxos para uma conversa de ocasião, as névoas que ensombram a cumplicidade de figuras políticas com empresas de objetivos pouco explicados, a mesma aliança entre associações “invisíveis”, e os desempenhos de seus representantes no mundo monetário-político infelizmente não andam longe estas notícias das que nos surgem a respeito do Vaticano, onde nos é apontada gente em fila à espera de capitanear a equipa ou intermediários a aproveitarem-se de papéis e relatos, para publicidade do que é manifestamente privado.
É certo que o demasiado segredo ou o secretismo é uma tentação de virar tudo ao contrário. Desde o secretismo histórico do plano dos Descobrimentos até ao de nomeações e de mudanças nos nossos tempos, parece ser tema mal conseguido. O que não se quer que se saiba, todo o mundo conhece.
Da tentação de vir tudo para a praça pública até à investigação indevida, é só um passo.
A nebulosa consiste nos métodos impróprios, na difusão da mentira, na tentativa de desassossegar a ordem pública com a desordem, como quem pos-suísse o conhecimento prévio de onde colocar os pedras do xadrez.
Bem sabemos da pouca clareza e da discutível segurança com que se chega a afirmar o contraditório! E é esta confusão a respeito da verdade que deixa perturbado quem sempre a busca. Não acontece que tantas vozes erguidas contra a independência de Timor Leste vieram, tempos depois, defender posições contrárias?!
Comentadores acentuaram que o Cardeal Ratzinguer não quis ser papa. Para concluírem hoje: “E, de facto, não foi” (Nouvel Observateur, n.o 2477, 26 de abril de 2012, p. 59).
Na biografia de Françoise Sagan, seu único filho Denis Westhoff cita François Mauriac, para quem a discutida romancista “esteve muito mais próxima da graça do que certos crentes”.
Segundo o filho, a mãe teve um profundo respeito pelo outro, um amor pelo outro e a preocupação constante de não causar a alguém qualquer mal”.(Nouvel Observateur, 24 de maio de 2012, n.o 2481, p. 66). São opiniões.
Conforme Teilhard, quando os cristãos “se converterem à esperança da terra”, muitas coisas mudarão (Quelques refléxions sur la conversion du monde, 1936). E acrescenta: “um dia, há já mil anos, os papas dedicaram-se a dizer adeus ao mundo romano e a ir para junto dos bárbaros. Espera-se hoje em dia um passo semelhante”.
Em 16 de abril último (data do aniversário natalício), o Papa Bento XVI sublinhou: “a Sua Luz é mais forte do que toda a obscuridade”. As “línguas de fogo” devem substituir as “névoas” e os “corvos”. Como?




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