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Quer que o seu filho seja um delinquente?

Então não hesite e comece já hoje para não perder tempo.Dê-lhe tudo o que ele quiser para, mais tarde acreditar e defender que o Mundo tem a obrigação de lhe satisfazer todos os seus desejos e caprichos. Será um cidadão livre só com direitos e sem deveres, nem obrigações de qualquer ordem.

Maria Susana Mexia
1 Jun 2012

Quando ele disser nomes feios ou palavrões, ache graça, ria e colabore, adoptando o mesmo vocabulário, para não correr o risco de lhe chamar ”cota”. Isso fá-lo-á sentir-se acompanhado e estimulado a fazer “melhor”.
Nem pense dar-lhe qualquer orientação religiosa. Quando ele crescer decidirá por si mesmo, sem qualquer constrangimento, limitação. Lute por que venha a ser possível não lhe dar qualquer nome, nem o registar como Pessoa. Já imaginou o horror do pobre quando descobrir que não gosta do nome que lhe escolheram e impuseram à força? Se possível, nem lhe escolha o sexo. Que violência obrigarem uma criança, logo antes de nascer, a ser identificada como masculino, feminino, ou assim-assim…
Em casa, por favor, arrume tudo o que ele desarrumar: livros, sapatos, roupas, etc., etc.. Faça-lhe tudo o que for possível para que ele aprenda a atribuir aos outros a sua responsabilidade.
Não evite discutir com o pai ou a mãe o mais frequentemente possível e sempre na presença dele. Assim não ficará muito chocado quando o “lar” se desfizer mais tarde. Já está prevenido e até pode colaborar na desagregação da família.
Satisfaça todos os seus desejos de comida, bebida, conforto, viagens, sei lá, tudo o que ele entender por bem. Negar pode desencadear frustrações prejudiciais, traumas, fobias e outras doenças graves do foro psicopatológico. E, claro, deve dar-
-lhe todo o dinheiro que ele quiser e até mais algum para os imprevisíveis extras que sempre surgem.
Nunca esteja contra ele. Tome sempre o partido contra os vizinhos, professores, autoridades, enfim, essa gente que não o compreende e tem má vontade para com o seu querido filho, único e irrepetível. Claro, se ele se meter em alguma complicação séria, desculpe-o. Sabe bem como a sociedade é madrasta, vingativa e perseguidora destas inofensivas criaturas que, vendo bem, afinal, nada são, nada valem, porque os pais neles nada souberam construir.
E, finalmente, orgulhe-se! Acabou de criar um ser adequado a um mundo violento, que embora pareça, não se coaduna com as perversidades e demissões dos pais, trucida-os sem que deem por isso. 
Atenção, se não for este o seu caso e um filho assim não fizer o seu perfil, tome nota, já sabe o que não deve fazer, nem deixar que façam ao seu redor.
“O Mundo é o que nós fizermos dele” – é a grande certeza que a cientista do filme de Carl Sagan “O Contacto” nos revela, sabendo que tem os pés na terra, luta com os pobres mortais, mas tem os olhos e o coração em Vega e, dessa realidade, ela não abdica. É o seu sonho e o sentido de vida que lhe foi incutido pelo seu doce e carinhoso pai.




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