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Outro Ponto de Vista

“A Escola está uma confusão” (José Gil)
O insuspeito David Justino afirma que “se a qualidade da educação fosse plenamente assumida como um desígnio coletivo, de há muito estaria interiorizada uma cultura de avaliação dos desempenhos: dos alunos, dos professores e das escolas (…) a avaliação é um requisito da qualidade”.

Acácio de Brito
1 Jun 2012

Quanto aos alunos o atual paradigma aponta para a realização de um tipo de avaliação complementar, com a exigência de uma avaliação externa, os exames. Em relação aos docentes, serão objeto de um processo avaliativo mais simplificado, mas que procurará aferir dos seus desempenhos.
E a Escola? Entidade organizacional e espaço nobre de promoção de saberes, onde tem acontecido uma pretensa avaliação externa, a cargo de um serviço parte integrante do próprio ministério, projeto que englobou o conjunto de todas as escolas, pode merecer alguma pausa reflexiva.
A questão emerge. Que resultados e que consequência para a realização do desiderato primeiro da escola foram alcançados?
Os meios envolvidos, nomeadamente os humanos foram os adequados na hercúlea tarefa avaliativa? E os promotores da iniciativa foram objeto de algum escrutínio?
Sem resposta para o questionamento, procurando provocar, isso sim, debate, não obstante, em nome da honestidade intelectual que prezo, proponho uma avaliação da escola, pois é requisito substantivo de qualidade.
Avaliação externa, que seja, por exemplo, da responsabilidade conjunta das várias sociedades científicas, nomeadamente da Sociedade Portuguesa de Filosofia, Matemática entre outras, de docentes, conjugando esta natureza mais científica com outras organizações de natureza mais empresarial ou corporativa, coordenadas pela entidade que até ao momento teve essa responsabilidade.
A operacionalização desta atividade, complexa em si, será facilitada se os “avaliadores” tiverem competências reconhecidas por entidades universitárias de relevo.
Aliás, é condição sine qua non, tratar do que se sabe, sem truques nem equiparações próprias de incapazes e burocratas pseudodoutos!
O tempo de intervenção deve ser estendido no tempo. No mínimo, deve ocorrer durante um ano. Por fases bem definidas, novamente por quem do mister souber.
Primeiro momento, aquando da preparação do ano letivo, avaliando de que modo a entidade escola organiza os recursos humanos disponíveis, como organiza os momentos letivos, em suma, como compagina os normativos legais com a especificidade da sua realidade.
Um segundo momento avaliativo, mais administrativo-financeiro, auditando quais os procedimentos de controlo interno implementados na entidade, compaginando-os, também, na interpretação dos recursos utilizados na ação social escolar.
Terceiro momento, verificando e analisando o funcionamento das estruturas intermédias de gestão pedagógica, na resposta que dão às problemáticas do ensino, com a assistência de aulas.
Último momento no terreno, na escola, comparando os resultados da avaliação interna dos alunos com os exames, a avaliação externa.
Um ano de trabalho de avaliação na Escola, a envolver sempre uma equipa multidisciplinar, possível, desejável e sem custos exorbitantes para o erário público, até porque os recursos humanos da entidade que deverá coordenar este projeto cobrem desde o pré-escolar ao secundário, é a proposta necessária para os tempos que correm porque a avaliação é um requisito da qualidade.
Finalmente, prestando contas, com a elaboração de um relatório, sem formatação prévia e desnecessária, com uma avaliação qualitativa que seja consequente nos efeitos.
Não existe melhor resposta à crise do que uma escola de qualidade, interiorizando uma cultura de avaliação dos desempenhos, sem impressionismos ou “acho que”, “porque sim”!
O “faz de conta” tem sido um dos responsáveis pela situação terrífica vivida, também, na Escola, na Educação.




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