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Pequenos Cientistas

Despertar o gosto pela ciência é privilegiar a observação e a experimentação nos alunos do primeiro ciclo do ensino básico – crianças dos seis aos nove anos de idade. É estar consciente da importância que ela tem no desenvolvimento das competências de questionar e experimentar – observação, medição, comparação, registo, interpretação e conclusão.

Cristina Brandão Lavender
31 Mai 2012

Com a implementação desta vertente, queremos, propositadamente, manter alguma distância de algumas rotinas que recorrem apenas a memorizações desprovidas de compreensão. Algumas destas práticas são fastidiosas, perdem-se no tempo e no conteúdo. Pelo contrário, o uso da experimentação, consegue o estímulo do raciocínio, o prazer da descoberta e da curiosidade tão presentes nestas idades e nas etapas do método experimental. Acreditamos ainda que esta aposta faça emergir o interesse pela via científica tão necessária em países em que os problemas sociais, económicos e ambientais aumentam, na permanente ameaça do equilíbrio, no planeta terra.
O sistema escolar existente esqueceu-se, durante décadas, para não dizer séculos, que a criança é por natureza um ser de experiências – basta observá-la nas suas brincadeiras permanentes. Tem também, em condições normais, uma excelente capacidade de observação que irá perder, inevitavelmente, ao longo do seu crescimento, caso esta não seja devidamente estimulada. Aconteceu com todos os que passaram por essa escola de rotinas e de memorização perceberem que aquilo que se decora facilmente se esquece e que aquilo que se faz, se compreende e facilmente se recorda. Alguém terá dito com muita propriedade que o que dizem se esquece, o que se vê, recorda e o que faz se aprende. Abert Einstein declarou ainda que: “Toda a nossa ciência, comparada com a realidade, é primitiva e infantil – e, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos.” Tendo presente que a ciência é a «coisa mais preciosa que temos» e sabendo também que as crianças são por natureza seres com o bichinho da experimentação em plena atividade, por que não aproveitar essa sua tendência natural?
 Diz o Povo e com razão que “é de pequenino que se torce o pepino”. Se aceitamos que o desenvolvimento do nosso destino como humanos no planeta passa também pelo desenvolvimento do conhecimento científico, pelo estimular dessas atitudes científicas, talvez seja importante começar o mais cedo possível a estimular a abordagem experimental. Aqui a criança vai, progressivamente, alargando as suas áreas de aprendizagem, na construção significativa, global e científica do seu conhecimento.
De há dez anos a esta parte vemos os nossos alunos a aprender a formular questões, a experimentar, a observar ocorrências, a reflectir, a registar e a concluir. Nesta vertente de construção dos seus conhecimentos – uma aprendizagem pela investigação/ação – de uma forma interdisciplinar, na presença do cruzamento das várias áreas curriculares disciplinares e não disciplinares acreditamos estar no caminho certo. Apostar em pequenos cientistas hoje é acreditar nos adultos curiosos, atentos e ativos amanhã.




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