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Escola de treinadores

Apetecia-me deturpar um conhecido ditado popular para dizer que os treinadores passam e a caravana ladra. O Braga despediu o treinador sem que ninguém saiba bem porquê e por isso todos nós vamos criando teorias e mais teorias.

Manuel Cardoso
31 Mai 2012

Leonardo Jardim deu uma entrevista em que afirmou serem de caráter essencialmente profissional as suas relações com o presidente. Segundo a generalidade da comunicação social teria estado esta afirmação na base do despedimento de Jardim. Mas… o presidente do SC de Braga seria assim tão sensível ao ponto de romper o contrato com o técnico por este ter dito que não tinham uma relação mais próxima? Obviamente isto nunca seria motivo suficiente para tal desfecho, nem muito menos (como se diz por aí) devido à divergência de opiniões sobre as funções do diretor desportivo.
O que é certo e seguro é que nós, adeptos, não sabemos “nem da missa a metade”. Estas coisas são mesmo assim: decidem-se lá nas altas esferas e cabe ao comum dos mortais dar uns palpites, tendo como intermediários os jornalistas que pouco mais podem fazer que recolher umas migalhas deixadas como pistas (muitas vezes falsas) da verdade, essa sim, propriedade dos que realmente mandam nisto.
Eu, adepto comum, limito-me a cumprir o meu direito de “mandar umas farpas” e o meu dever de pagar as quotas e desembolsar umas dezenas de euros pela “cadeirinha”. Mais nada.
Seja como for, eu, o adepto, fico preocupado. Porquê? Porque me lembro claramente das dificuldades que vários técnicos tiveram ao chegar a Braga com a equipa preparada por outros. Lembro-me das dificuldades de Jesualdo Ferreira no seu primeiro ano em Braga, lembro-me da quase escandalosa eliminação da Liga Europa quando Domingos Paciência chegou (com a equipa preparada por Jorge Jesus como este teve oportunidade de lembrar várias vezes) e lembro-me ainda das primeiras jornadas deste campeonato, com L. Jardim a perder alguns pontos na Liga, necessariamente por conta do inevitável período de adaptação. Muitos (incluindo o nosso presidente) ficaram desiludidos com a perda de pontos na reta final da Liga, que nos impediram de manter a luta pelo título. Mas não é verdade que perdemos muitos pontos no início da época devido a essa fase de adaptação?
É esse preço que vamos pagar agora quando um qualquer técnico vier pegar no plantel após as férias. Esperemos que esse preço não seja demasiado elevado.
Neste momento, muito se especula também sobre o nome do novo treinador: Domingos, Conceição, M. José, Calisto, Rui Vitória, Pedro Martins e até Vilas Boas são nomes que andam nas bocas do mundo. Pessoalmente, como se costuma dizer, “quero lá saber”! Interessa-me muito mais saber se a estrutura se vai manter, se quem vier consegue dar sequência ao excelente trabalho de L. Jardim ou se, pelo contrário, o capricho ou os profundíssimos motivos deste despedimento vão implicar uma mudança geradora de problemas ao nível do rendimento desportivo.
Espero também que L. Jardim não vá parar a um dos nossos rivais, dando azo a novas teorias da conspiração, como as que já hoje se ouvem por aí. A verdade é que a ligação de Jardim ao Braga fazia com que uma transferência do técnico tivesse de render algum dinheiro ao nosso clube; assim, nada embolsaremos. Isto pode dar lugar a muitas especulações. É por isso que seria importante que alguém nos informasse (de preferência o Presidente A. Salvador) dos reais motivos deste desenlace.




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