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Domicílios e carros livres de fumo do tabaco

Assinala-se, dia 31 de maio, o Dia Mundial Contra o Tabaco e, a este propósito, vou descrever um episódio passado há cerca de 30 anos, que me foi reportado por uma amiga e que, infelizmente, ainda está atual: “O meu pai era um fumador devorador de cigarros (ainda me lembro de o ver fumar “definitivos”, aqueles pequeninos sem filtro, um atrás do outro).

José Precioso, Manuel Macedo, Carolina Araújo, Catarina Samorinha e Henedina Antunes
31 Mai 2012

Quando viajávamos eu “fumava” também, (…) no banco de trás com a janela semiaberta …o fumo quase me asfixiava. Detestava, mas não tinha voto na matéria. Hoje não suporto que fumem perto de mim (…), não aguento ambientes saturados de fumo que me fazem secar os olhos, não gosto de roupas impregnadas com o cheiro do tabaco, não gosto de ver na minha escola, nos intervalos, professores e alunos em magote a fumar à porta da escola, do lado de fora para não infringir (mas a dar mau aspeto!) e não gosto, sobretudo, que aleguem “liberdades individuais”… quando não há consciência, não há o respeito pelos outros (…)”. E eu acrescento, no caso de fumarem em casa e no carro, respeito pelos próprios filhos. É preciso que os pais sejam os “anjos da guarda” dos filhos e não fumem, pelo menos dentro de casa e no carro. Se o fizerem é uma forma de maltratar os filhos. É tempo de limparmos o ar de casa e dos carros.
Sabe-se hoje que crianças expostas ao Fumo Ambiental do Tabaco (FAT) apresentam maior taxa de sintomas crónicos relacionados com doença respiratória (tosse, pieira e dispneia) e maior risco de infeções das vias aéreas inferiores (pneumonia e bronquite). Estas crianças também apresentam maior frequência de otite média. Os recém-
-nascidos, tal como os filhos de mães que fumaram durante a gravidez, apresentam um risco de síndrome de morte súbita infantil cerca de duas vezes superior em comparação com os recém-nascidos não expostos. A exposição tabágica afeta a morbilidade por asma de várias formas, nomeadamente agravamento dos sintomas, incluindo maior frequência e intensidade das crises, mais queixas no período intercrise, aumento da necessidade de medicação com broncodilatadores, aumento do número de recursos ao serviço de urgência e de internamentos hospitalares.
 Para além da exposição domiciliar, muitas crianças estão também sujeitas ao fumo passivo no carro. Os veículos motorizados são microambientes onde os passageiros podem estar expostos a elevadas concentrações de FAT se alguém fumar no seu interior. Um estudo efetuado na Nova Zelândia, em 2006, revelou que a qualidade do ar dentro do automóvel é similar, em alguns casos, ao nível de partículas encontrado num típico bar onde é permitido fumar. A exposição ao FAT em
veículos tem sido associada a um risco superior de pieira, a níveis mais elevados de sintomas de dependência à nicotina em crianças e a mais incidência de sintomas respiratórios em adultos jovens.
 No maior estudo realizado em Portugal a avaliar a prevalência da exposição das crianças escolarizadas (4.º ano do ensino básico) ao FAT no domicílio, e o primeiro a avaliar essa mesma exposição no carro, numa amostra representativa da população alvo portuguesa, e realizado pela Universidade do Minho em colaboração com a Universidade da Beira Interior e da Universidade de Évora, constatou–se que 33,9% dos alunos estão expostos diária (15,8%) ou ocasionalmente (18,1%) ao FAT, pelo facto de pelo menos um dos membros do núcleo familiar fumar em casa. Verificou-se ainda que 29,5% dos alunos que declararam ser asmáticos estavam expostos ao FAT no domicílio, diária ou ocasionalmente, devido ao consumo de tabaco em casa por pelo menos um dos conviventes. Esses valores estão muito próximos dos que se registam para os alunos que não são asmáticos ou que não tomam medicamentos para a asma.
Relativamente aos compartimentos da casa, a cozinha é o local mais utilizado para fumar pelos pais/mães fumadores. Estes resultados são preocupantes e confirmam que o tabagismo dos progenitores e outros conviventes é o determinante mais importante da exposição das crianças ao FAT. Considerando apenas os alunos que costumam viajar de carro, cerca de 25% dos participantes declararam estar expostos ao FAT nesse meio de transporte. Estes dados revelam que muitas crianças estão expostas ao FAT, resultando dessa exposição consequências imediatas e futuras, graves para a sua saúde.
Torne a sua casa e o seu carro espaços livres de fumo. Proteja os seus filhos.




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