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A recuperação dos verdadeiros valores humanos

Tempos houve em que a maior parte das pessoas que trabalhavam não era especializada em nada. Com a evolução e as necessidades inerentes ao progresso e à produção eficiente, quer em quantidade, quer em qualidade, tornou-se indispensável o treino e a qualificação específica para qualquer atividade humana, para além de uma boa instrução básica.

Artur Gonçalves Fernandes
31 Mai 2012

A grande oferta (e correspondente procura) é a de pessoas especializadas que, com a utilização das novas tecnologias, possam produzir o mais possível e com qualidade, de modo a poder concorrer em excelentes condições.
No entanto, devemos pensar que o dinheiro não é tudo e, muito menos, o dinheiro fácil ou obtido por meios que implicam a corrupção ou a exploração humana. A honestidade deve estar subjacente a qualquer atividade exercida e devemos reconhecer que a dignidade das pessoas está acima de tudo. Se todos assim fizessem, não haveria tantas desigualdades e a riqueza estaria distribuída de uma maneira mais justa e equitativa. A competência, a dedicação, a consciência moral e o empenho de cada um na execução das suas tarefas são dimensões indispensáveis para o sucesso profissional e para a justiça social. Todos temos necessidade da disciplina de um emprego que puxe por nós. Ela é uma caraterística intrínseca da natureza humana que dá um impulso para partilhar com os outros os frutos das possibilidades ou das energias que trazemos connosco. Devemos sentir-nos necessários e é por isso que trabalhamos. Estes conceitos, ocupando o corpo e a mente, também nos salvaguardam contra as más tendências e as ocupações desadequadas dos tempos de laser.
O trabalho bem feito traz muitos benefícios e é a forma mais adequada e completa de felicidade e satisfação pessoal que se pode sentir, acarretando também mais saúde, mais estabilidade, uma maior personalidade e um certo conforto financeiro. Charles Kingsley escreveu um texto que sintetiza todas estas ideias. Diz ele: “Agradeça a Deus todas as manhãs, quando acordar, por ter qualquer coisa a fazer que precise de ser feita, quer goste ou não. O facto de ser forçado a trabalhar, e a fazer o seu trabalho o melhor possível, dá-lhe temperança, autodomínio, diligência, força de vontade, e outras dezenas de virtudes que o preguiçoso nunca poderá conhecer.” Li também algures que um pai avisado disse ao filho: “Nada se faz sem trabalho. Se outra coisa te não deixar, quando morrer, exceto a vontade de trabalhar, deixo-te o bem mais precioso – o prazer de trabalhar.” De facto, uma grande parte das pessoas não sente nem desenvolve essa satisfação interior no exercício do seu trabalho profissional. Tais indivíduos só veem nele a mera vertente remuneratória. Porém e em contraponto com estes, tenho conhecido muita gente em lugares que implicam trabalho exigente e uma grande aplicação pessoal que se manifestam realizados, revelando uma enorme satisfação pelo que fazem diariamente. Ao longo da vida vamos aprendendo que nada há mais substancial do que aquilo a que podemos chamar o contentamento derivado de uma realização feita com vontade e prazer por ter comprido o seu dever profissional. Os grandes homens não são um acidente; são um resultado.
Dificilmente se conhecerá uma pessoa que se realize completamente num trabalho que lhe desagrade. Embora seja certo que podem surgir tarefas ocasionais desagradáveis, horas longas e enfastiantes a suportar ou até desânimos sobre desânimos; mas uma pessoa amadurecida, que basicamente aprecia o seu trabalho, aprendeu a esperar contrariedades ou revezes ocasionais e sabe como superá-los ou combatê-los, sem nunca pensar em desistências.
Devemos aprender a gostar do que fazemos e a executá-lo com perfecionismo. Assim, no fim da vida poderemos dizer com S. Paulo: “Combati o bom combate….”. E assim, a recompensa será certa e cem por um.




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