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A boa política e os maus políticos

Na sua génese e aplicação contextual, não há políticas más. O que há são maus políticos que torcem e distorcem, deturpam a sua exequibilidade conforme os seus interesses ideológicos, partidários e de grupo.

Dinis Salgado
30 Mai 2012

Vejamos, por exemplo, o que aos setores da saúde e da educação concerne. Diz a boa política que o acesso à saúde e à educação deve ser universal, geral e gratuito, privilegiando a igualdade de oportunidades. Só que a realidade é bem diferente e para pior.
Depois, nunca ouvi político algum dizer, a propósito de conhecimentos e decisões políticas, não sei. Eles sempre são omniscientes, a ponto de ter feito história aquela declaração de um político, ainda no ativo, de que nunca tenho dúvidas e raramente me engano.
Ora, se bem pensarmos, o país chegou onde chegou – ao atoleiro económico-financeiro – para além de alguns constrangimentos externos, por culpa de maus políticos – culpa que tem a ver com incompetência, incapacidade, demagogia e falta de verdade política. Despesismo, esbanjamento, mau planeamento e definição errada de prioridades sempre têm sido os pecados comuns dos políticos que nos têm governado.
Hoje, chega-se à política por linhas travessas, muitas vezes através de fenómenos de compadrio, caciquismo, clientelismo e seguidismo e, até, pasme-se, por sucessão monárquica (o filho sucede ao pai, o sobrinho ao tio, o afilhado ao padrinho). E raramente porque se é o mais capaz, o mais idóneo, o mais competente e sério.
Nenhum partido, que se saiba, tem, por exemplo, uma escola de formação de quadros, preparando os seus membros para o exercício de funções autárquicas, parlamentares e governativas e, obviamente, logo a partir das juventudes partidárias. Os partidos têm funcionado mais como agências de emprego, traficantes de influências e rampas de lançamento na ocupação de postos-chave na administração pública e privada.
Por isso, e voltando ao princípio, não há políticas más, mas maus políticos que responsáveis são pela cultura de indiferença e, pior ainda, de resignação que se apoderou do povo. Do povo que, impunemente castigado pela austeridade, desemprego, fome e miséria, a esperança e a confiança no futuro vai perdendo.
O que caso é para praguejarmos:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então até de hoje a oito.




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