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Receitas que não curam doenças

No Diário do Minho de segunda-feira, 21 de Maio, li com cuidado uma notícia em que alguém, num processo de candidatura à gestão da Concelhia do Partido Socialista, parecia ufanar-se de ter ao “seu dispor” o apoio e cooperação de Vereadores do Município Bracarense, de Administradores/Gestores das Empresas Municipais e, ainda, familiares de conhecidas figuras da política local.

Armando Rêgo
29 Mai 2012

Sei bem que o marketing político também se faz destas demonstrações de vivências e “conivências”, em que se procura mostrar a outros correligionários a importância dos apoios e as escolhas destes, como se estes fossem uma massa cinzenta e relacional mais esclarecida. Isto, parecendo correto, torna tudo mais contraditório e ambivalente: nem Deus distribuiu a inteligências só por alguns eleitos, nem as conhecidas figuras estão sempre do lado certo. Nos tempos que correm, alguns problemas que nos afligem estão mesmo ligados a alguma gente que está cheia de razão sem emoção. Aliás, se fosse só pela experiência ou pela sucessão “dinástica”, muito provavelmente, seríamos a melhor Nação do mundo, pois os nossos políticos sempre geraram filhos com inteligência e aptidão para os negócios da coisa pública e gestão da mesma e, por incrível que pareça, tiveram quase sempre a sorte que estes encontrassem genros e noras também com grande apetência.
Os nossos políticos devem olhar para o presente e para a enorme incerteza que ele nos transmite e concluir, com humildade, que não se podem ultrapassar as maleitas atuais com receitas do passado. É preciso compreender a doença; já não chega descrever os sintomas; já chega de diagnósticos; o que necessitamos é de saber como e fazer. Estamos a enfrentar uma crise, mas podemos não estar na presença de uma crise capitalista mas, hipoteticamente, no estertor do capitalismo tal como o conhecemos. O endividamento das famílias parece ser uma crise do crédito, só que devemos analisar que os financiamentos foram uma utilização de ganhos futuros que a própria economia não suportou e que permitiram que a banca consumisse lucros antes de estes estarem totalmente realizados. Atente-se que a classe média segue o caminho do definhamento e perdendo esta o posicionamento de amortecedor interclassista veremos como serão dramáticos os processos de recomposição social. Por outro lado, é notório que o desemprego está a ser usado como medida “estrutural” para reduzir os custos do fator trabalho.
Os munícipes bracarenses, nesta situação caótica de desemprego e de austeridade, vêm sentindo penosamente os efeitos do empobrecimento prometido. Chegou a hora de fazer face aos vultosos problemas sociais e económicos da nossa urbe. A necessidade de unir forças à volta dos meios locais e das várias instituições sediadas no município bracarense parece uma evidência. Mas, desta feita, para explorar formas de intervenção sócio-económica que permitam encontrar novas saídas para novos desafios.
O céu está muito sombrio, mas isso não impede de termos a certeza que o sol continua a sorrir, encoberto, para si próprio. No entanto, basta retirarmos algumas nuvens para que ele comece a sorrir para nós (todos).




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