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O semáforo passou a verde

O Partido Socialista agravou recentemente o confronto com o Governo e com o Partido Social-Democrata, o maior dos partidos que suporta o executivo. Os correligionários de Seguro bem o pressionaram para que o fizesse antes, mas o secretário-geral rosa não quis fazê-lo e, do meu ponto de vista, bem. O país tinha compromissos assumidos com a comunidade internacional subscritos pelo Partido Socialista que então governava Portugal e alguém bem intencionado não pode nem deve fazer tábua rasa daquilo que assinou.

Luís Martins
29 Mai 2012

Seguro esteve bem nesse particular. O Governo de Passos Coelho sempre fez o que lhe competia a este respeito, mesmo não sendo o principal responsável pelo memorando. As decisões que foram tomadas nunca o puseram em causa.
Entretanto, dois factos levaram Seguro a mudar de estratégia: por um lado, e uma vez que a situação do país se apresentou mais grave ao atual Governo do que era do conhecimento público, Passos Coelho necessitou de tomar medidas adicionais que não pensava ter de tomar; por outro, a vitória de Hollande em França fez acreditar que a austeridade na Europa poderia diminuir de um dia para outro. Mas, os dados económicos mais recentes acabaram por retirar parte da argumentação de Seguro, exatamente quando este se preparava para afrontar o Governo e satisfazer os seus correligionários mais impacientes. Em política não pode valer tudo e, volto a afirmar, Seguro foi correto e esteve bem em assumir a herança do anterior Governo – aliás, não podia ter feito de outra forma, para fazer jus ao seu sentido de responsabilidade – mas a oportunidade socialista foi-se e espera-se que por muito tempo.
As coisas mudaram. O trabalho em curso do Governo de Passos Coelho começou a dar frutos. A situação abriu melhores perspetivas e começa a dar sinais mais optimistas. Ao contrário do que o Partido Socialista afirma, Portugal já não está no sinal vermelho. O semáforo abriu enquanto as suas hostes se distraíam em lutas intestinas. Apesar de débil ainda, a economia portuguesa parece guiada agora por um sinal verde. São os mais recentes dados que o dizem. A recessão não será, muito provavelmente, tão grave quanto o esperado. A economia cairá menos cerca de um ponto percentual do que muitos previam, instâncias comunitárias incluídas, mesmo o Governo. Um bom sinal, certamente. Não é já a salvação do país. De forma nenhuma. Não sentiremos, por enquanto, qualquer aumento de prosperidade, da que nos foi prometida e que ansiamos. Ainda não. Mas é, garantidamente, um dado muito importante que nos puxa a moral para cima e nos alimenta a esperança.
A par de previsões pessimistas para Portugal, como as da OCDE, existem outras que, ao invés de serem um sinal vermelho, são antes, um sinal verde para Portugal. De facto, os dados do primeiro trimestre revelam que a tendência mais pessimista muito dificilmente se verificará. Veremos se, nos próximos meses, os números poderão confirmar a tendência. Seja como for, parece claro, no entanto, que já será difícil que a recessão de 3,3%, prevista pela União Europeia ou a de 3%, constante do Documento de Estratégia Orçamental do Governo, se venha a confirmar. A mesma perceção parece ter a troika, que já o transmitiu, em termos muito claros, ao Governo e aos representantes dos partidos políticos: a economia portuguesa já bateu no fundo e Portugal “já terá superado o ponto mais baixo da recessão”. Se assim for, tal significa que o início da recuperação está aí. É claro que não se verá a olhos vistos para já – há muito ainda a fazer e o desemprego continuará a manter-se num nível razoavelmente elevado – mas será percetível pelo cidadão comum, dentro de algum tempo. Pelo menos, dentro dos prazos previstos, isto é, o mais tardar no início de 2013. A queda do PIB em cadeia no primeiro trimestre ficou-se por 0,1%, dez vezes menos do que estava previsto (1%). Embora com alguma cautela, é razão bastante para se ficar otimista.
É claro que a ultrapassagem da zona do semáforo não se fará a grande velocidade, porque o caminho para além dele está muito esburacado e perigoso – há trabalhos de reestruturação e de organização que continuarão por mais algum tempo, alguns de muita dificuldade e a exigir muita ponderação e colaboração entre o dono da obra e os utilizadores – mas, pelo menos, abre a possibilidade de se chegar onde queremos, mesmo que seja com alguma demora. E há também as condicionantes externas que podem interferir e impedir ou, pelo menos dificultar, que esse objetivo se concretize, designadamente, se a Grécia sair do euro e se a banca espanhola não for saneada oportunamente. Mas pode ser que a primeira não saia e a Europa seja pró-activa no caso da segunda.




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