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Lei e mandarinetes

Em todos os países civilizados, a Lei é feita de harmonia com o ser e o sentir do povo, cultura, religião, modus vivendi e, sobretudo, visando retidão e justiça social. Por isso se afirma: “não se fazem povos para a Lei, mas leis para os povos”. Esta linha, como se sabe, tem contrariado sempre os regimes fascistas e sociais-fascistas.

Artur Soares
29 Mai 2012

Todavia, nunca serão justas as leis dos homens. Mas se são injustas ou duras para alguém, importa que se apliquem com imparcialidade, tendo sempre em conta as maiorias e todos aqueles que respeitam a lei.
Sempre hão-de existir os violadores e os que zombam da lei.
Tem-se verificado que, há umas dezenas de anos atrás, no nosso país, se violam as Leis. A Constituição da República ordena, mas a Lei, por vezes, não a respeita. Os Decretos-Lei desrespeitam por vezes a Lei e tantas outras vezes um simples Despacho ou um Ofício-circular, suspende o Decreto-lei.
Antigamente, faziam-se Decretos-Lei que continham oitenta, cem ou mais artigos, onde tudo era previsto e claro. Agora, com tantas fendas na lei, qualquer chefe de serviço manda ou suspende ações com um Despacho.
Pensemos na ação política destes últimos anos, nas devoluções de leis pelas presidências da República, pelos violentos roubos executados e programados contra os portugueses e que me digam se não houve e se não há violação da Lei, principalmente desde a famigerada Troika que manda e que conduz Portugal.
Os grandes homens e os homens sérios submetem-se às leis naturais e às leis justas que regem a vida política. Fazem-nas cumprir – se for o caso – tendo em conta as faculdades e responsabilidades de cada um. Por isso, no nosso entender, só os tolos estão dispensados da Lei.
Mas a Lei, precisamente porque é feita por homens, tem defeitos, embora haja quem diga que nunca errou ou que nunca prejudicou ninguém. Estes, ou são mentirosos ou pobres de espírito. Há que dizer, então, que os povos vão aceitando os segundos, mas riem-se dos primeiros.
E para que qualquer lei tenha defeitos, basta que os políticos sejam incompetentes, desinteressados ou que não conheçam o povo que servem.
Um grande e grave problema das leis é a existência hierarquizada da burocracia e o incumprimento daqueles que fazem ou não a Lei, e que governam para a fazer cumprir. Razão por que a burocracia é velhinha, existindo e habitando com toda a segurança em qualquer parte do mundo! Só governos e povos inteligentes, pensantes e gente preocupada, têm capacidade para ir esganando a burocracia. E esta horrorosa senhora tem os seus eternos alunos: os verdugos da Lei.
Uns veem-se em qualquer serviço público: preocupam-
-se com defender a lei e não o público; outros, frios de alma e calculistas do suborno, deturpam a lei, tendo em atenção o fato que veste o seu cliente. Finalmente, os mestres da burocracia, exilados nos ministérios e nas direcções gerais – gente que o povo não conhece, bem como a lei que os introduziu nesses serviços – são aqueles descabelados de aspeto delicado e de camisa e gravata, que vão exibindo os botões de punho dourados, afirmando sorridentes que “a lei é para se cumprir”.
Estes mandarinetes da lei, governantes ou súbditos, autênticos gastadores de tinta e de imagens eróticas do computador, não passam de uns amanuenses da garatuja, despidos de ideias, estéreis ao bem do país e do bom andamento dos serviços, a toda a hora, interiorizam: “eu represento o Estado”; “o Estado sou eu”; “o povo apenas serve para votar”.
Estes habilidosos e burocratas da lei, onde qualquer ser vivo pode perecer frente a eles, nada mais são, segundo Papini, que “uns condenados ao sequestro quotidiano, frente a papéis e processos mal processados, onde embrutecem prematuramente”. É gente estressada, desconfiam uns dos outros, conhecem os bons, médios e maus burocratas; odeiam-se entre si, por inveja de promoções, de predominância, de domínio, embora se defendam uns aos outros, quando o inimigo não pertence ao exército ou à corporação da pia que os alimenta.
Os governos são os pais da Lei e a burocracia é neta dos governos. Governos e Leis respeitam-se e, se possível, elevam-se. A burocracia pode e deve ser eliminada. Os burocratas e os mandarinetes  também.




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