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A freguesia de São José de São Lázaro

Conhecer as raízes e a história de uma determinada comunidade é a melhor forma de justificar a sua relevância e de promover a sua própria identidade. Numa altura em que poderá vir a ser questionada a sua existência, urge promover e valorizar a freguesia de São José de São Lázaro, indubitavelmente uma das comunidades urbanas mais significativas de Braga.

Rui Ferreira
29 Mai 2012

A sua origem remonta ao ano de 1747 quando, por iniciativa do Arcebispo D. José de Bragança (1741-1756), é desmembrada uma parte do extenso território de São Victor para formar uma nova organização pastoral. Segundo o próprio prelado, eram cerca de 5.200 pessoas ao cuidado de um único pároco, num território deveras extenso e ainda um tanto ruralizado (E. P. Oliveira, 1997). Apesar dos naturais protestos dos paroquianos de São Victor, a nova paróquia avançou, compreendendo um território que ia desde a Igreja de São Vicente até ao Monte Picoto, contendo artérias importantes da época como as antigas ruas que deram origem à avenida da Liberdade, a atual avenida Central ou o Campo Novo.
A centralidade deste território era conferida pela igreja paroquial, antiga leprosaria medieval, ainda de reduzidas dimensões. Este templo, reedificado nos finais do século XVIII, foi demolido em 1979, para terminar o alinhamento da avenida da Liberdade. Vai ser, aliás, esta artéria o eixo fulcral em torno do qual se desenvolvia a vida da freguesia.
Localizada fora dos limites da muralha medieval, a freguesia apresenta, mesmo assim, um conjunto patrimonial significativo. Destaque-se a basílica dos Congregados, a igreja da Penha de França, o palácio do Raio e as capelas de S. João da Ponte e de Santo Adrião. Porém, a importância patrimonial da freguesia é bem mais recuada. Sabemos, hoje, que parte significativa da muralha romana se localizava dentro dos limites de São Lázaro, facto ao qual se acrescenta a fonte do Ídolo, um dos mais importantes vestígios da cidade de Bracara Augusta.
O parque da Ponte, cuja centralidade pode ser decisiva para o futuro da freguesia, foi construído em 1912 e continua a ser hoje o único parque urbano da cidade. Verdadeiro museu a céu aberto, é o palco primordial das festas de São João, o grande evento anual realizado no território de São Lázaro. Antiga quinta da Mitra, onde os arcebispos vinham passar o verão, o parque detém uma fonte, mandada construir durante a prelazia do Arcebispo D. Frei Agostinho de Jesus (1588-1609), incompreensivelmente mutilada pela autarquia no ano de 2009.
Todavia, é o rio Este o elemento decisivo para o surgimento da freguesia. Para além do ofício das lavadeiras, que às centenas utilizavam este córrego como seu “ganha-pão”, foi no seu leito que surgiram diversas moagens, essenciais para se fazer o trigo que alimentava os bracarenses. Aliás, a extensão de edificado, ao longo da estrada para Guimarães, que se confirma pelo mapa de Braga em 1594, atesta a importância económica que este local ia almejando. A fonte dos Galos, que data de 1639, atesta também a existência de um pequeno núcleo populacional nesta zona da cidade.
Para além dos moinhos, terá existido também, desde o século XVI, uma fábrica de papel junto ao lugar dos Galos (Aurélio de Oliveira, 2007), facto que terá fomentado, ainda mais, a fixação de população neste lugar. Ao longo do século XVIII e seguinte, a freguesia vai assistir ao incremento de pequenas oficinas ou manufacturas, muitas delas dedicadas ao fabrico de chapéus. Também em São Lázaro, e não muito longe da primitiva igreja, localizava-se a fábrica de sinos Rebelo da Silva, que funcionou desde 1670 até meados do século passado. No último quartel do século XIX, vão surgir ainda algumas fábricas de fósforos junto à Devesa, (J.M.Cordeiro, 2011) e também uma zona de couros, onde se lavavam e secavam as peles, localizada junto à rua dos Pelames, cuja designação deriva precisamente desta atividade (M.ª Carmo Ribeiro, 2012).
Apesar de ter cedido uma parte do seu território para se criar a freguesia de S. Vicente (1933), São Lázaro acabaria por assistir a um forte surto demográfico, a partir da segunda metade do século XX. Para além do antigo bairro económico do Carandá e do alargamento progressivo da avenida da Liberdade, poucas iniciativas urbanísticas há a salientar até aos anos 70. A partir daí, os campos de cultivo, que ainda preenchiam a freguesia, deram lugar a novas urbanizações que ocuparam praticamente toda a sua área tornando-a na segunda maior freguesia do município bracarense.
Destaque-se ainda a localização de equipamentos desportivos relevantes para a cidade, como o estádio 1.º de Maio, piscinas municipais e pavilhão Flávio Sá Leite,  e ainda a construção do parque de exposições, em 1987, equipamentos que fomentaram a importância de São Lázaro no contexto urbano de Braga.

bragamaior.blogspot.com

 




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