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Um país em frangalho!

Quanto vale Portugal? Dirão que o nosso país não está à venda. É verdade. Mas, tratando-se de um país tão endividado, corre o risco dos credores o pretenderem resgatar, um dia destes, se deixar de honrar os compromissos. Não falta muito. Há quem diga que dentro de poucas semanas Portugal enfrentará problemas muito sérios de financiamento. É, por isso, que a questão se coloca desta forma. E o pior, é que 87% da dívida do país está na mão de estrangeiros!

N/D
25 Mai 2010

Uma simples análise de balanços e de contas de exploração demonstra-nos, com relativa facilidade, que o que nos está a acontecer se deve à irresponsabilidade dos governos socialistas que na última década e meia tomaram conta do país. Literalmente. Fizeram e desfizeram a seu belo prazer: criaram estruturas inúteis, redundantes e outras redes tentaculares nos diferentes serviços do Estado; teimaram fazer obra megalómana com dinheiro alheio e arrastaram o país para a situação periclitante em que se encontra; a receita foi sempre mal gerida; gastou-se quando não se tinha e recorreu-se à banca sem critério; combateram-se valores enraizados, fazendo desse combate as prioridades nacionais. Agora estamos na situação que estamos. Financeiramente, à beira da bancarrota! Sim, da bancarrota! Em falência técnica já estamos há muito. Mas Sócrates continuará a dizer que estamos num oásis! Que os pequenos problemas que enfrentamos se devem aos malvados do rating! Que estamos, como sempre estivemos, no bom caminho! Que o desemprego não é nada por aí além! E que Portugal é uma das economias que melhor tem resistido à crise!

 

Cada semana que passa traz-nos sempre uma ou mais novidades. A última trouxe-nos a confusão generalizada sobre as datas relativas à entrada em vigor dos novos impostos, com despachos e contra-despachos, e novamente o compromisso de Portugal e Espanha sobre o TGV. Qual delas a mais caricata! A primeira, evidenciando que os membros do governo não se entendem e já não discutem e articulam os assuntos em sessão apropriada. A outra, que o ministro das Obras Públicas continua a teimar com o comboio novo, qual tara adquirida na infância, quiçá no quarto de brinquedos de algum amigo de pais mais abastados!

 

Na verdade, o desentendimento entre membros do governo já não é novo e o assunto do comboio parecia claro desde que do país vizinho se ouviu dizer que iria ser adiado por um ano ou ano e meio, pelo menos, o investimento na infra-estrutura da rede ferroviária. O ministro de Fomento do lado de lá da fronteira, ciente da gravidade da situação financeira do seu país, disse há poucos dias que enquanto fosse ministro não haveria mais demagogia e que o projecto do TGV ficaria suspenso. Mas, isso, só do lado espanhol. Por aqui, continuou a assobiar-se para o lado, para se não ver o que é óbvio. Será que Portugal quer competir, neste particular, com Espanha? O governo de Portugal não tem mesmo mais argumento, mas teima e teima. Irresponsavelmente. Do lado de cá, o primeiro-ministro diz que mantém o «compromisso com a ligação entre Lisboa e Madrid» e que o projecto é mesmo para prosseguir sem suspensão. Isto é um país de doidos e tarados!

 

A última semana parlamentar culminou com a apresentação e discussão da moção de censura ao governo apresentada pelo Partido Comunista Português. Mas chumbou, com os votos favoráveis apenas do partido proponente e dos bloquistas. A moção estava condenada ao insucesso, pois as circunstâncias não eram as mais oportunas, mas tal não significa que não existam razões de sobra para censurar o executivo. De facto, os portugueses estão genericamente descontentes com o actual governo, por causa das dificuldades por que estão a passar e por saber que aquele tem grandes responsabilidades no que lhes está a acontecer.

 

No governo, o sentimento é diferente. O primeiro-ministro sentiu-se ofendido, pois estava convencido que os partidos da direita votariam contra a moção de censura! Em defesa da sua dama alegou que se abriria uma crise política no caso da moção de censura ser confirmada, por obrigar a eleições antecipadas. Para além do mais, o governo merecia era um voto de confiança, por estar a segurar nas pontas do país! Que desplante! A verdade, é que o país vai de mal a pior. O governo desgoverna a cada dia que passa. Continua a esbanjar o dinheiro dos portugueses, ao mesmo tempo que lhes impõe novos impostos. Os portugueses não aceitam nem estão convencidos de que as sobretaxas que agora lhe são aplicadas sejam justas. Têm mesmo a noção precisa de que a situação do país se deve aos abusos perpetrados pelos governos no poder ao longo dos últimos anos (só por acaso foram sempre socialistas!). E não têm dúvida que o sentido de responsabilidade, tão apregoado nos últimos tempos pelo governo, devia ter sido usado em todos os anos em que se gastou mal. E foram tantos!

 

Em boa verdade, não tem cabimento vir-se agora pedir sacrifícios em favor dos desmandos antigos e recentes e quando diariamente se comprova, à saciedade, que não há propósito firme de emenda. E que continua a haver desrespeito pelos cidadãos. Aliás, ninguém acredita já que Sócrates e o seu governo tenham emenda. O pior é que também as instituições internacionais já não dão carta branca a este governo, o que vai custar caro à economia nacional e por consequência a todos nós.

 

Curioso mesmo, é que ninguém tenha ouvido Sócrates confessar qualquer erro ou que se tenha enganado. Que se tenha enganado nas previsões, muito menos que tenha enganado os portugueses! Ele e seu governo são os maiores. Uma gestão moderna e sem falhas! Disse e continuará a dizer até à exaustão e se reformar: «O governo fez tudo o que estava ao seu alcance». O pacote de austeridade é dos estrangeiros! Por causa dos estrangeiros! O país está um frangalho, mas o discurso do governo é de que tal se deve ao mau tempo que se tem feito sentir em Portugal, como na Europa! Sócrates faria um favor ao país se se demitisse. Por muito menos Guterres o fez.

 

O que Sócrates diz já não comporta credibilidade. Já não o conseguimos ouvir. Mas que continua petulante, isso é indesmentível. Afirma que «o governo está em funções há apenas 6 meses», quando se esquece dos anteriores quatro anos e meio! Insiste que «é o povo que nos escolhe e nos dá o mandato», uma verdade soberana, mas esquece que isso é válido apenas quando se lhe diz a verdade e se ganha de forma limpa! Confessa que relativamente ao que se está a passar «os portugueses julgarão», outra verdade irrefutável, mas pode estar ciente que, desta vez, não voltará a enganá-los com facilidade.

 

O certo é que o país continua a endividar-se. A cada dia que passa. Mais do que consegue produzir. Um pouco mais e temos o futuro hipotecado. Sabemos que o grande responsável é Sócrates e o seu governo! Pela sua miopia. Pelo seu autoritarismo. Pela sua irresponsabilidade. Precisamos de nos indignar! Urge deixar de tolerar o desmantelamento e o desgoverno do país. O Presidente vai ter que mexer-se para que o povo possa decidir melhor.


[Publicado no DM de 25.05.2010]




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