Fotografia:
O Papa que mudou a face do mundo!

Após a visita do Papa Bento XVI, ocorre-me o Papa que mudou a face do mundo.

N/D
21 Mai 2010

Nasceu no seio de uma família humilde, mas de arreigados sentimentos religiosos. Cedo teve de se sujeitar à dureza do trabalho árduo na construção civil. Ainda só com 9 anos, perdeu a mãe que faleceu ao dar à luz uma menina que morreu antes de nascer. Poucos anos depois morre o irmão e em 1941 perde para sempre o pai. Era ainda um jovem de 21 anos, de grande ambição, predestinado para escalar a montanha da vida, subindo até ao cume para assim mais facilmente tentar corrigir os desvios de um mundo ainda à procura de um rumo onde a justiça social, a solidariedade, o respeito dos direitos humanos, a paz se tornassem princípios invioláveis. Ele que já tinha o gosto pelo montanhismo e também pelo teatro e pelas artes literárias polonesas. O seu sonho era mesmo estudar. Na História e Físico-Química não brilhava. Um dia teve um zero. Chorou convulsivamente. Um amigo e companheiro de estudos procura consolá-lo, perguntando-lhe: «Não pensas vir a ser Papa, pois não?». Talvez não, talvez sim, teria ele pensado nesse momento. A mãe tinha desejado dois filhos médicos e um padre. Um dia surpreendeu o pai a rezar de joelhos, logo de manhã cedo. Ficou profundamente emocionado e nunca mais esquece esse humilde gesto pela vida fora. Mais tarde, um encontro com o Cardeal Sapieha, durante uma visita pastoral, desperta nele a vocação sacerdotal que já lhe vinha enchendo o coração. Possuído de uma fé inquebrantável, começa a orientar os seus estudos nesse sentido. Em 1 Novembro de 1946, com 26 anos, é ordenado sacerdote. Em pouco tempo consegue a licenciatura em Teologia na Universidade Pontifícia Angelicum, em Roma, e, logo a seguir, obtém o doutoramento em Filosofia. Em 23 de Setembro de 1958, foi consagrado Bispo Auxiliar do Administrador Apostólico de Cracóvia. Em Maio de 1967, com 47 anos de idade, já Arcebispo, passou a cardeal pelo Papa Paulo VI. Em 1978 sucede ao “Papa do Sorriso”, João Paulo I, que faleceu ao fim de 33 dias de papado. O mundo da guerra-fria e dos dois blocos fica surpreendido quando sobe para o céu o fumo branco e ouve a ritual exclamação: “Habemus Papam”. Karol Wojityla acabava de ser eleito Papa, João Paulo II. Com Sua Santidade na cadeira de São Pedro, a face do mundo começa a mudar. Passa a inovar, correndo os quatro cantos do mundo. «O mundo não cabe no Vaticano, é preciso ir ao encontro dele». Viajar, conhecer outras terras e outras gentes é um sonho da sua adolescência que vai concretizar, levando consigo um punhado de princípios humanitários para difundir, que iriam ser aceites pelos crentes e não crentes, sobretudo pelos que viviam sob a alçada de regimes totalitários onde a liberdade e a igualdade eram crimes. Coragem nunca lhe faltou. A sua mártir Polónia teria já sido integrada na esfera da União Soviética, passado ideologicamente de um extremo para o outro. Ainda em Cracóvia, quando o governo comunista pretendia encerrar as igrejas, ele celebra a missa do Natal ao ar livre e deixa no local uma grande cruz. O governo cedeu, não retaliou. E quando vai para o Vaticano diz ao seu povo: «Não tenhais medo». Pelas longínquas terras que o acolheram, as enchentes eram de mais de um milhão. Só não conseguiu ir à China nem à Rússia. Porquê? Porque a semente de um mundo em paz podia destabilizar. Mas as contradições internas do regime opressor da União Soviética apressavam já a sua derrocada. E a China desde há uns anos para cá vem vivendo a meias com um capitalismo de rédeas soltas, sem respeito pelos trabalhadores com salários de miséria. Mikhail Gorbatchov, o último líder soviético, encontra-se com João Paulo II e vê nele um forte aliado no derrube do comunismo. Também Sua Santidade, de certo modo, e de que maneira, empurrara ao muro de Berlim, em 1989. A ele devemos a democracia do filósofo John Locke que vai hoje do Atlântico aos Urais. João Paulo II mudou a face do mundo. A semente da liberdade e igualdade, soprada pelos novos ventos, voa, ainda hoje, em todas as direcções. Que venha e depressa um novo Papa e que seja de um País do Terceiro Mundo, pois é aí que ele faz mais falta. Não é na Europa e muito menos na Itália. Liberdade, igualdade, solidariedade, direitos humanos, democracia, não podem mais ser palavras vãs. Muitos há, por aí, que acusam João Paulo II de, na área de Teologia, não ter acompanhado os novos tempos. A Igreja para ser Igreja não pode ceder nos princípios que lhe deram origem e a legitimam. São mentalidades progressistas que gostariam de ver, no decorrer das missas, irmãzinhas a distribuírem gratuitamente preservativos e pílulas do dia seguinte. Só assim, o velho Papa deixaria de ser acusado de radicalismo. Mas, deste modo, sem dúvida, acabaria a Igreja que tanto tem feito a favor da paz e dos mais desfavorecidos. Também teria sido radical quando pediu publicamente perdão pelos falsos apóstolos que, sem vocação religiosa, se serviram dessa universal instituição, usando-a no seu próprio interesse, e denegrindo-a com a prática de horrorosos crimes contra a natureza? João Paulo II parte consciente do dever cumprido, e crentes e não crentes reconhecem que deixou um mundo melhor.

[Publicado no DM de 21.05.2010]




Notícias relacionadas


Scroll Up