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O Papa e o Juízo Final

Quem lê com atenção a Constituição Apostólica de João Paulo II sobre a eleição do novo Pontífice, apercebe-se dos complexos mecanismos de escolha do sucessor de Pedro.

N/D
14 Abr 2005

Também adivinha os sobressaltos que terão ocorrido nestes dois mil anos, na eleição do “Pai e Pastor”.
E ainda das múltiplas situações que podem surpreender a Igreja neste tempo de interregno entre dois Papados, conhecido como “Sede Vacante”.

Mil jogos podem viciar a cristalinidade deste gesto. Mil subtilezas se podem interpor à acção do Espírito que, já no Livro dos Actos dos Apóstolos, se empenhou para que os interesses dos homens não prevalecessem sobre os desígnios de Deus.

É, pois, na harmonia da Fé profunda no Espírito de Deus com a plena responsabilidade do Colégio dos Cardeais que se conjuga uma escolha livre daquele que, unido a toda a Igreja e com profundo amor ao mundo contemporâneo, nos garante que o Espírito não nos abandonou e continua a oferecer à humanidade a Redenção operada por Jesus.

Nunca a Igreja dispensará esta dupla dimensão. Divina como o seu Fundador e, como Ele, humana, sujeita à fragilidade dos mortais. Mas nunca passível de erro que vicie a sua essência da sua verdade e o âmago da sua missão.

Por isso, o momento que vivemos não se pode reduzir a um grupo de apostas, jogos e conjecturas – mesmo mediáticas – de quem reduz a Igreja a um clube religioso ou a uma sociedade cultural ou política que induz correntes de inevitabilidade histórica.

Em poucos momentos, como no de uma eleição pontifícia, o divino e o humano se conjugam, mesmo na tensão de que nenhum homem possui por inteiro o Divino, nem Este dispensa a dimensão do humano.

A Constituição Apostólica de João Paulo II para este Conclave, nem o manipula nem o condiciona a correntes ideológicas ou pastorais.

Lembra-lhe a responsabilidade e transcendência histórica da escolha de um Papa, liberta-o de pressões do exterior e recorda que eleger um Papa na Capela Sistina é mais que estar perante o Juízo Final de Miguel Ângelo.

É ter consciência da presença de Deus, “diante do qual deverá cada um apresentar-se um dia para ser julgado”.




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