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Informação religiosa

A informação produzida por ocasião do falecimento de João Paulo II trouxe ao de cima uma deficiência – quanto a mim, grave – de alguns dos profissionais da comunicação: a ignorância religiosa. Disseram-se coisas incorrectas.

N/D
14 Abr 2005

Como aquela de, insistentemente, identificar homilia com missa.
Como é evidente, a ignorância religiosa levou a que alguma informação tivesse deixado a desejar.

E foi pena. Depois do relevo que se deu ao acontecimento, a qualidade da informação teria sido, como às vezes se diz, a cereja em cima do bolo. Assim, em alguns casos, ficou-se pela quantidade.

Isto também tem a ver com a pouca atenção dedicada pela generalidade da Comunicação Social à informação religiosa, o que é bem visível no espaço que normalmente lhe dedica. O falecimento do Papa foi, neste aspecto, uma honrosíssima excepção.

Não pretendo ser injusto mas pergunto-me, muitas vezes, se certa Comunicação Social não estará, também, apostada na campanha de paganização da sociedade.

Se não estará também a colaborar no esforço de remeter a Religião para a esfera da vida privada das pessoas, ou de a encerrar nas quatro paredes da igreja e da sacristia. No propósito de silenciar as actividades da Igreja Católica.

Insisto em que não quero ser injusto mas há factos que parecem deixá-lo transparecer.

Fala-se de muita coisa, às vezes de coisas bem insignificantes, mas para a informação religiosa nem sempre há espaço nem tempo. Há ocasiões em que a informação religiosa, simplesmente, não aparece. Há casos em que se privilegia o anedótico.

Por vezes, talvez seja legítimo perguntar, perante certo noticiário religioso, se quem o produziu teve, de facto, o propósito de informar ou se mais pretendeu achincalhar, ridicularizar, desacreditar.

Uma outra questão: quando se debatem assuntos que têm a ver com a Religião, com que critério se escolhem os intervenientes? Não serão seleccionados a dedo, de harmonia com as suas conhecidas tendências ideológicas e com a mensagem que se pretende fazer passar?

Há no interior da Igreja quem a responsabilize pela referida falta de informação, acusando-a de informar pouco ou de não informar bem. A acusação pode ter, a meu ver, algo de verdade, mas também possui o seu quê de ingénua.

Nos casos em que a Igreja informa e informa bem, a sua mensagem passa?

A verdadeira prática religiosa há-de levar a que os crentes procurem viver religiosamente onde quer que se encontrem.

E o respeito pela liberdade dos outros há-de permitir às pessoas manifestarem publicamente a sua fé e tomarem, também em público, atitudes que estejam em consonância com as suas convicções.

E os Meios de Comunicação Social, se pretendem dar uma informação completa, não devem ignorar a dimensão religiosa da vida das pessoas.

Há temas que beneficiam de grande espaço nos Meios de Comunicação Social: o desporto, a política, o sindicalismo, o ensino, o associativismo, a economia…

E para informarem convenientemente, os Meios de Comunicação Social procuram ter comunicadores especializados em tais matérias, consideradas de interesse para um considerável número de cidadãos.

Se a Religião se não inclui no elenco de tais matérias, logicamente que não haverá o cuidado de ter especialistas em questões religiosas.

Mas quem, de facto, quer servir bem os destinatários dos Meios de Comunicação Social não deverá, em minha opinião, deixar de informar das actividades religiosas e de, sempre que for caso disso, lhes fornecer a perspectiva religiosa.

Como se não concebe, hoje, um jornal de informação geral sem uma boa secção desportiva.

A Religião é um tema que interessa a muitos leitores, radiouvintes, telespectadores.

Privá-los desse sector de informação é, na minha perspectiva, não lhes prestar um serviço a que têm direito. E para que tal serviço seja de qualidade é imperioso que os comunicadores possuam um mínimo de conhecimentos religiosos.




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