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Os troca tintas!

Em época de aproximação da campanha eleitoral para as autárquicas 2005, é possível já vislumbrar aquela que é a estratégia do Partido Socialista para tentar renovar o mandato do Eng.o Mesquita Machado.

N/D
12 Abr 2005

Desde logo pode-se perceber que ao longo de quatro anos o caminho vem sendo trilhado, com uns piscar de olhos aqui, outros ali, uns namoricos interesseiros… enfim nada que o edil não nos tenha já habituado.

A questão residual de toda esta estratégia são efectivamente as freguesias. Quando falamos desta matéria, temos de ter em atenção que é preciso dizer verdade de forma frontal para que as pessoas percebam e possam avaliar as situações com conhecimento de causa.

Se verificarmos os resultados eleitorais de 2001 podemos concluir que, se dividirmos o concelho de Braga em três anéis, a coligação “Juntos Por Braga” dominou a votação no primeiro anel com a conquista de juntas como S. Vitor, S. Lázaro, Maximinos e S. João do Souto. Ora este anel é aquilo a que podemos chamar o perímetro mais urbano do concelho.

No segundo anel, que é composto por juntas como Ferreiros ou Fraião, podemos verificar que a votação foi mais ou menos repartida entre a coligação e o PS.
No terceiro anel é que o PS leva efectivamente um significativo avanço. Aqui é que se podem disputar verdadeiramente as eleições autárquicas.

O que acontece neste terceiro anel é que o Sr. Presidente da Câmara anda a pescar votos e apoios à linha, aproveitando as facilidades que a legislação lhe dá para transferir verbas para as freguesias. Esta é a mais pura realidade. É fácil de ver que quando chegamos à época de eleições a Câmara desata a construir caminhos, estradas, piscinas, campos de futebol, etc, tudo para conseguir renovar a votação nessa mesma freguesia.

O que acontece é que não há um verdadeiro planeamento para as freguesias em termos de distribuição de verbas, ou seja, o dinheiro dos contribuintes não é usado em função das necessidades desta ou daquela freguesia, mas antes tem como projecto orientador aquele que o PS entender ser o melhor para acorrentar os Presidentes de Junta às suas cores.

Não há aqui nenhuma noção de gestão de recursos ou de perspectiva estratégica da distribuição das verbas, há antes uma lógica meramente partidária, de gestão dos interesses dos partidos ou do edil, tendo sempre em vista as eleições.

Isto é a verdadeira subversão de um sistema carente, porque permite que estas situações aconteçam.

Mas a pesca não se fica pelo terceiro anel. Há nos outros dois anéis quem ande a ser seduzido pelo poder do edil que comanda a Câmara já há mais de 29 anos, seja com atribuição de verbas para vários fins, seja com a viabilização de negócios que além de darem aos Presidentes de Junta aquilo que eles (muitas vezes cegamente) querem, enchem os bolsos a muita gente.

O simples facto de os autarcas da coligação andarem a ser seduzidos é a mais evidente prova da sua competência. Acredito que agirão como homens de palavra, de convicções e não se deixarão vender aos malabarismos do mesquitismo. Confio que todos serão autênticos e terão memória para se lembrarem de quem os apoiou, incondicionalmente para que fossem Presidentes de Junta ou membros das mesmas, porque entendeu que eram efectivamente a melhor solução para a freguesia.

Quem não for fiel aos seus princípios, quem for troca tintas, quem não tiver a dignidade e a verticalidade de não se deixar vender, então não fará certamente falta e aquilo que a coligação deve fazer é tentar derrotá-los, porque não são sérios para estar à frente das respectivas freguesias. Independentes talvez, vendidos nunca!

Esta é a verdadeira promiscuidade das relações entre CMB e Juntas de Freguesia. A lei tem de ser revista e o Presidente da Câmara Municipal de Braga tem de ser substituído.

É preciso sangue novo, novas ideias, nova vitalidade porque Braga tem de se afirmar, de uma vez por todas como cidade cosmopolita, onde vale a pena viver, investir e trabalhar.

É altura de dar o cartão vermelho àqueles que já não têm mais forças para ter ideias, que já esgotaram os créditos e que se mantêm agarrados ao poder porque se calhar têm telhados de vidro e como tal tentam segurá-los a todo o custo.




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