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Precisamos de sacerdotes santos, sábios e actualizados

Os leigos que caminham/colaboram com os padres ajudam-nos a serem mais santosou vão-nos adulando, tolerando ou criticando (preferencialmente) pelas costas?

N/D
11 Abr 2005

Hoje, precisamos de sacerdotes santos, de almas totalmente consagradas ao serviço de Deus!

Por isso, gostaria de vos repetir mais uma vez: ‘É urgente e necessário estruturar uma pastoral vocacional, ampla e detalhada, que envolva as paróquias, os centros de educação, as famílias, suscitando uma reflexão mais atenta aos valores essenciais da vida, cuja síntese decisiva reside na resposta que cada um é convidado a dar ao chamamento de Deus, especialmente quando este pede a total doação de si mesmo e das suas próprias forças à causa do Reino’» – Mensagem de João Paulo II para o 42.º dia mundial das vocações.

Impressionados com o testemunho do nosso Papa – repare-se na multidão de quatro a cinco milhões de participantes no seu funeral no Vaticano – e inseridos nesta ‘Semana de oração pelas vocações’, podemos perceber este (misto) de anseio e de partilha em jeito de testamento: João Paulo II viveu intensamente isto que disse aos outros, tal como o referiu na carta aos sacerdotes na última quinta-feira santa.

Nesta missiva se dizia: «Sobretudo no contexto da nova evangelização, as pessoas têm direito de dirigir-se aos sacerdotes com a esperança de «ver» a Cristo neles (cf. Jo 12, 21).

Sentem necessidade disso particularmente os jovens, que Cristo continua a chamar a Si para fazer deles seus amigos e propor a alguns a doação total à causa do Reino.

Não hão-de certamente faltar as vocações, se subirmos de tom a nossa vida sacerdotal, se formos mais santos, mais alegres, se nos mostrarmos mais apaixonados no exercício do nosso ministério.

Um sacerdote «conquistado» por Cristo (cf. Fil 3, 12) pode mais facilmente «conquistar» outros para a opção de fazerem a mesma aventura» (n.º 7).

Perante estes dois excertos – dos mais recentes e quase derradeiros – com que João Paulo II nos brindou, sinto a necessidade – perdoem a ousadia ou mesmo a confissão pública de uma certa debilidade humano-espiritual! – de questionar-me sobre a vivência (pessoal, presbiteral e eclesial) do sacerdócio:

* Será que tenho a consciência (assumida, atenta e comprometida) de que a melhor pastoral vocacional é o ‘ser’ (e ‘estar’) do próprio ministro, mais do que o seu ‘fazer’?

* Terei essa visibilidade de «sacerdote conquistado» para Cristo, como vi em Karol Wojtyla, sobretudo na sua dádiva até à última gota de vida?

* Mesmo que de forma incipiente acredito – por convicção de paternidade espiritual, assim se compreende a designação de «padre» – que os outros/as vêem Cristo em mim ou, pelo contrário, posso fazê-los tropeçar na (minha) pessoa humana?

* Os «sacerdotes santos» têm equilíbrio com a sabedoria, a emotividade e a serenidade… com que tantos coetâneos pretendem confrontar as suas vidas?

Como em coisas deste teor é difícil (nem é de bom tom) ser juiz em causa própria, gostaríamos de perguntar: os leigos que caminham/colaboram com os padres ajudam-nos a serem mais santos (à medida dos seus meios e à luz da fidelidade ao Espírito Santo) ou vão-nos adulando, tolerando ou criticando (preferencialmente) pelas costas?

Numa época em que o exemplo tem preferência sobre as palavras, precisamos de sacerdotes santos, sábios e actualizados, ao ritmo de Deus e com os outros… homens e mulheres em sintonia.




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