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João Paulo II e a Família

João Paulo II deixa-nos um programa, um percurso que é preciso, urgente, começar(é disso que se trata!) a percorrer. Vamos, pois, dar vida aos desafios que João Paulo II nos deixou. E foram muitos!

N/D
11 Abr 2005

Nunca, até hoje, o Magistério Pontifício publicou tantos e tão importantes documentos sobre a Família.

Pela mão de João Paulo II chegaram até nós instrumentos de vária índole que reflectem a enormíssima atenção e preocupação constante do Papa para com a instituição fundamental das sociedades humanas.

João Paulo II lega-nos, entre outros, a Exortação Apostólica “Familiaris Consortio” (1981), verdadeiro vademecum da pastoral familiar, a “Carta dos Direitos da Família” e a “Carta às Famílias” (2 de Fevereiro de 1994, Ano Internacional da Família).

Estes três documentos sobre a Família chegariam para definir João Paulo II como o “Papa da Família”. Mas este Pontífice deixou-nos muitos mais textos!

Será extremamente difícil aos estudiosos da família compulsarem as muitas e muitas páginas que nos deixou.

Em cada visita apostólica, aos bispos de todo o mundo nas sucessivas visitas “ad limina”, nos discursos a políticos e a outros actores sociais que recebeu, nas mensagens que enviou a congressos e seminários de todo o mundo, em síntese, em todas as ocasiões que se Lhe deparavam, João Paulo II nunca esqueceu uma referência às questões da Família.

A este grande Papa se deve a criação do Conselho Pontifício para a Família, que tem sido dirigido por um entusiasta convicto e convincente da Família, o Cardeal Alfonso Lopez Trujillo que em inúmeras situações tem tomado a defesa da Família.

Aliás a este purpurado se devem alguns documentos fundamentais, a direcção da revista “Família et Vita” e a concretização da vontade de João Paulo II de realizar os Encontros Mundiais do Papa com as Famílias.

Na primeira visita apostólica que fez a Portugal, o Papa escolheu Braga para falar sobre a Família. O pontificado de João Paulo II está cheio de sinais curiosos. Na vinda a Braga, a 15 de Maio de 1982, a Sua homilia centrou-se precisamente sobre a Família.

Não é curioso que 12 anos mais tarde, a ONU declarou 15 de Maio como o Dia Internacional da Família? Coincidências com significado. Voltando a Braga, seja-me permitido transcrever algumas passagens da referida homilia:

1. “… o futuro do homem sobre a terra está ligado à família (…) o Plano Divino da Salvação passa pela Família.”

2. “Que as Famílias deste País se consolidem no amor e na unidade (…) persuadidos de que também o futuro de Portugal passa pela Família.”

3. “Na Família reside e da Família, mais do que em qualquer outra sociedade, instituição ou ambiente, depende o futuro do homem”.

4. “O futuro do homem é, antes de tudo, o próprio homem. É o homem nascido do homem: de um pai e de uma mãe, de um homem e de uma mulher. Por isso o futuro do homem decide-se na Família.”

5. ” O matrimónio é o alicerce da Família e como a Família é o vértice do matrimónio. É impossível separar uma da outra.

É preciso considerá-los juntos à luz do futuro do homem.”

6. “… Por isso a Família, na atmosfera actual do mundo – especialmente do mundo «rico», do mundo da «elevada civilização material» – está ameaçada. Ela permanece, contudo, a fonte de esperança do mundo.

É nela que, apesar de tudo, se decide o futuro do homem; e – seja-me permitido concretizar – do homem em Portugal, empenhado em consolidar as bases sobre as quais assentam o progresso equilibrado, a concórdia e a paz».

7. “A Família tem o primeiro e fundamental direito a educar; mas incumbe-lhe também o primeiro e fundamental dever da educação.

No cumprimento deste dever essencial, que pertence estritamente à sua vocação, a Família vai beber das fontes do grande tesouro de toda a humanidade que é a cultura; e mais directamente, da cultura do ambiente onde está radicada.”

8. “E vós, queridos pais e mães de família, conscientes de que o vosso lar é a primeira escola de valorização humana dos filhos que Deus vos deu, estareis conscientes também, certamente, deste outro grave dever que vos incumbe: de tudo dispor ou até exigir, para que os vossos possam progredir harmonicamente, na ascensão para a vida, apoiados numa conveniente formação humana e cristã.

A Igreja alegra-se quando os poderes constituídos na sociedade, tendo em conta o pluralismo e a justa liberdade religiosa, «ajudam as famílias, para que a educação dos filhos possa ser dada em todas as escolas, segundo os princípios morais e religiosos das mesmas famílias”.
(Decr. Gravissimum Educationis, 7)

9. “Reflectindo, de algum modo, o amor de Deus, também a Igreja não exclui da sua preocupação pastoral os cônjuges separados e novamente casados; pelo contrário, põe à sua disposição os meios de salvação.

Embora mantendo a prática, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir tais pessoas à comunhão eucarística, dado que a sua condição de vida se opõe objectivamente ao que a Eucaristia significa e opera, a Igreja exorta-os a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração e nas obras de caridade, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência, a fim de implorarem dessa forma a graça de Deus e se disporem para a receber (cf. Familiares Consortio, 84)”.

10. “Por isso, a Igreja condena como ofensa grave à dignidade humana e à justiça, as manobras para cercear de maneira indiscriminada a liberdade dos cônjuges em relação à transmissão da vida humana e à educação dos filhos.

Senti-me no dever de denunciar também uma insidiosa «mentalidade contra a vida», que se infiltra no pensamento actual.”

11. “A responsabilidade na geração da vida humana – da vida que deve nascer duma Família – é grande diante de Deus!»

12. “Embora existam hoje dificuldades na obra educativa, os pais cristãos devem, com confiança e coragem, formar os filhos para os valores essenciais da vida humana, sem nunca perder de vista que sendo responsáveis pela igreja doméstica do seu lar, são chamados a edificar a grande Igreja dos filhos (cf. Familiaris Consortio, 38) e, quiçá, a edificá-la pelos seus filhos «chamados por Deus».

E se Deus de facto os chamar para o serviço do Seu reino, queridos pais e mães, sede generosos para com Ele, como Ele o foi para convosco.”

Como se pode ver, João Paulo II deixa-nos um programa, um percurso que é preciso, urgente, começar (é disso que se trata!) a percorrer. Vamos, pois, dar vida aos desafios que João Paulo II nos deixou.

E foram muitos!




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