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Cidadania

A cidadania reveste-se de uma dupla faceta. Por um lado, garante direitos ao cidadão; por outro, atribui deveres. Numa e noutra situação, exige igualdade, seja no gozo dos direitos atribuídos, seja no cumprimento das obrigações impostas.

N/D
9 Abr 2005

Daqui, facilmente se ajuíza que não pode haver distinção entre os naturais de cada nação, nem entre as diversas regiões que a constituem.

Por isso, devia ser uma anomalia falar-se em «cidadãos de primeira e de segunda» e devia-se abolir as pejorativas denominações de «terras do interior e da periferia».
Infelizmente, sabemos que, na prática, não é bem assim.

Ultimamente, com o flagelo da seca a afectar todo o território nacional, a maioria da comunicação social veio apontar, apenas, os prejuízos causados no Alentejo, pedindo a atenção das respectivas entidades para o fenómeno.

O mesmo se tem passado, quando a anormalidade se desvia cento e oitenta graus e se apresenta como um torrencial de chuvas abundantes.

A agricultura das outras regiões do país, seja calcinada por braseiros de sol ou alagada por dilúvios de chuva, não conta para a comunicação social.

Uma ou outra vez, por desfastio, recordam-se prejuízos nas cerejas das Beiras ou moléstias nas batatas do Nordeste.

E, por aí se fica!…

Mas… os problemas agrícolas do Minho, do Douro e de outras variadas e empobrecidas regiões, nunca merecem um mínimo de atenção.

Alguém ouviu lamentar os prejuízos causados por esta última seca, nos laranjais de Amares ou do Ermelo?…

E os vinhedos do Alvarinho, no vale do Minho, ou do vinho do Porto, no vale do Douro, gozaram de protecção contra os raios do sol ou as rajadas do vento?

– Não!…

A verdade, porém, é que a seca espalhou-se pelo todo nacional e atingiu muitas outras culturas.

Mas parece que estas esquecidas regiões não existem e que nelas não chove nem faz sol.

Eu sei que, ao fim e ao cabo, toda esta história tem em vista as reclamadas indemnizações e, quantos menos forem os pedidos, maior será a fatia distributiva do bolo reparador.

Todavia, em termos políticos, estas discriminações são inaceitáveis e, mais cedo ou mais tarde, pagam-se caras.

Todos os portugueses pagam impostos para o erário nacional e, por isso, é da mais elementar justiça, que sejam tratados da mesma forma que os cidadãos das regiões privilegiadas.

Por isso, é forçoso concluir que ainda há muito a fazer e a regulamentar, na democracia deste nosso pequeno país.

O direito de cidadania, de que tanto se fala, deve ser um «práxis» corrente e não uma divagação política, para distrair incautos em épocas eleitorais.




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