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A ordenação sacerdotal das mulheres

Na passada quarta-feira, a BBC num dos seus noticiários, “criticava” o recém- -falecido Papa João Paulo II, por não autorizar a ordenação de mulheres. De facto, os discípulos do Senhor foram homens e se Cristo quisesse ordenar alguma mulher, era lógico que começasse por fazê-lo com Sua Mãe Maria Santíssima e com as Santas Mulheres que o acompanharam fielmente até à morte, não fugindo do Calvário como os discípulos.

N/D
9 Abr 2005

Se não o fez foi porque quis confiar essa missão aos homens, e as mulheres, se forem sensatas, não devem sentir por isso complexos de inferioridade.
De facto todos os baptizados recebem o sacerdócio comum dos fiéis, mas só os que recebem depois o Sacramento da Ordem, gozam do sacerdócio ministerial. É este sacerdócio que, na Igreja Católica, está reservado só aos homens.

Será que isto coloca as mulheres em lugar inferior aos homens? As feministas que se manifestam a favor de uma igualdade total de oportunidades, dizem que sim e sentem-se «discriminadas».

A Igreja Católica, a quem a mulher deve a dignidade de que goza actualmente, declarou, sem margem de dúvida, que o sacerdócio está interdito às mulheres.

Rita Rizo, que se fez clarissa e empresária dos meios de comunicação, declara que as mulheres que defendem o sacerdócio feminino só buscam o poder que elas pensam que tem a hierarquia católica, não sabendo que o sacerdócio não é poder, mas serviço; e acrescenta: o sacerdócio feminino é uma rebelião contra Deus, algo parecido, como se um homem se empenhasse em dar à luz um filho.

A Congregação para a Doutrina da Fé, presidida pelo Cardeal Joseph Ratzinger, esclareceu numa nota oficial que a doutrina segundo a qual a Igreja não tem a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, que foi exposta de modo definitivo na carta apostólica Ordinatio Sacerdotalis, de João Paulo II, em Maio de 1994, “pertence ao depósito da fé”, isto é: forma parte da doutrina revelada.

O Papa não proclamou um dogma, limitou-se a explicitar o que está contido na Verdade revelada, vivida pela Tradição e expressa pelo Magistério da Igreja. Não é necessária, portanto, uma proclamação solene.

A ordenação de mulheres que parecia ser uma solução para resolver a falta de sacerdotes, e ser para a igreja anglicana um grande triunfo, teve um efeito de boomerang – após o anúncio da ordenação de 1200 mulheres, 5 bispos e 570 sacerdotes anglicanos, que não concordavam com tal medida, assinaram uma declaração na qual aceitam a plena autoridade da Igreja Católica Romana.

Nomeadamente dizem acreditar “em tudo que a Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana ensina, crê e professa como verdade revelada” – fórmula que é usada, sob a forma de compromisso, quando há uma conversão ao catolicismo.

De facto os signatários comprometeram-se a, muito breve prazo, pedirem o ingresso na Igreja Católica. Ao mesmo tempo mais 2 bispos e 142 sacerdotes reconhecem o Papa como “Pastor Supremo”.

O arcebispo de Canterbury, George Carey, no seu livro Spiritual Journey, manifesta-se preocupado por “o fracasso geral da Igreja no seu intento de aproximar e educar os jovens”.

Os jovens acham os serviços religiosos anglicanos muito áridos e demorados, sobretudo depois de terem apreciado a simplicidade das cerimónias a que assistiram em Taipé.

Queixam-se que a igreja anglicana, nas suas cerimónias de culto não dá lugar ao silêncio, pois que a moderna liturgia prevê uns escassos “20 segundos”, manifestamente insuficientes para “uma oração pessoal profunda”.

No Reino Unido há cerca de 24 milhões de anglicanos, contra 5 milhões de católicos; em números absolutos e não percentuais, assistem à missa dominical o dobro dos católicos que assistem às cerimónias religiosas dominicais dos anglicanos.

É certo que muitos anglicanos não se converteram ao catolicismo só por causa da ordenação das mulheres – teve peso o seu desencanto. Na onda de conversões, muito deu que falar a da Duquesa de Kent, primeiro membro da família real que toma esta resolução desde o século XVII.

Estas «baixas» nos anglicanos, desencadearam uma onda de difamações contra os católicos. Os anglicanos temem inclusivamente que a igreja de Inglaterra deixe de estar unida ao Estado.

A igreja anglicana tem vindo a perder também rendimentos económicos pelo que temem não poder continuar a manter os estipêndios aos seus sacerdotes. Isto é como uma bola de neve: os fiéis têm de pagar mais, ou então a igreja tem de eliminar paróquias, reduzir gastos e diminuir os encargos burocráticos.

Os bispos católicos de Inglaterra e País de Gales, publicaram um comunicado que foi lido durante as missas dominicais em todas as paróquias.

Nesse comunicado pediam aos católicos que “dessem as boas vindas àqueles que procuram de coração sincero a Igreja”, com a certeza que isto não implica “fazer concessões sobre a verdade, nem abandonar a disciplina da Igreja”.

Muitos preocupavam-se com a hipótese de se criar um rito especial para os anglicanos, mas os bispos pretendem a “integração total dos convertidos na vida e missão da Igreja Católica”.

Mas voltemos à ordenação das mulheres. Desde que em Março de 1994 foi ordenada a primeira sacerdotisa em Inglaterra, os problemas cresceram, pois que os sacerdotes e leigos anglicanos convertidos, deixaram os fiéis sem serem atendidos.

Isso levou a que os fiéis anglicanos e católicos celebrem alternadamente as respectivas eucaristias na igreja de St. Matthew, a Leste de Londres.

Algo porém de mais curioso se verifica e veio a lume no The Sunday Telegraph, em 9.6.1996: alguns anglicanos, contrários ao sacerdócio feminino, manifestam, por escrito, que desejam no seu funeral um sacerdote varão.

Outros trazem consigo um cartão que diz: “Em caso de acidente ou emergência que necessite a assistência de um sacerdote, por favor, avise um sacerdote varão”.

Anne Williams, vice-presidente de Forward in Faith, afirma que muita gente leva estes cartões para os hospitais, onde as capelanias estão entregues a sacerdotisas.




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