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O sofrimento de João Paulo II

Em 2 de Abril, a Igreja Católica perdeu um Papa mas ganhou um Santo. Dele se tem dito, escrito e mostrado a sua multiplicidade de dor, grandeza e riqueza espiritual da Sua vida Deixou-nos, João Paulo II, um testamento absolutamente fabuloso e quase todo inexplorado. Escreveu dezenas de documentos. Contactou milhões de pessoas. Discursou milhares de horas.

N/D
7 Abr 2005

Não deixou um aspecto da vida humana que não tivesse abordado com coragem, clareza e determinação. Não foi um Homem cinzento. Foi um Homem. Um Crente. Um Exemplo.
Em todo o mundo, os analistas, vaticanistas ou não têm-se debruçado sobre este Homem ímpar. Ninguém esquece o Seu imenso sofrimento dos últimos tempos ou de quando lutou contra a opressão do Seu povo na ocupação Nazi ou na tirania Comunista. Foi um Papa que sofreu muito. Porém, e quanto a mim, o maior sofrimento do Papa João Paulo II não lhe advinha de causas extrínsecas.

O maior sofrimento era-lhe conferido pelas infidelidades e desobediências de católicos (Bispos, Padres, Diáconos, Religiosas e Leigos!). Nas coisas simples como nas maiores e mais significativas. No silêncio que se fazia sentir como chumbo à volta das suas Encíclicas ou Exortações Apostólicas. Este Papa herdou uma Igreja em situação complicada. Complicadíssima. Países como a Holanda, a Alemanha ou França tinham uma Igreja desnorteada por um progressismo desenfreado. Quanto fizeram sofrer o Papa!…

A França e a Suíça, por exemplo, com integrismo de alguns católicos escorraçados como cães tinhosos pelos seus Bispos que nunca tentaram o diálogo…, geraram situações difíceis e extremamente dolorosas. Estamos recordados da ocupação da Igreja de S. Nicolau de Chardonet (Paris) ou da ordenação de 3 (ou 4?) Bispos à revelia da Santa Sé. João Paulo II herdou uma América Latina dividida entre um conservadorismo que perdia terreno e uma “Teologia da Libertação”, ficando no meio os Cristãos que fiéis a tradição queriam as necessárias e urgentes mudanças na fidelidade ao Papa.

O Papa assiste, sem nunca se calar, à legalização do Aborto em, praticamente, toda a Europa. A Família a quem se dedicou tanto, (podendo ser o grande Pastor da Família e da Causa da Vida Humana) entrou em colapso graças a um conjunto de causas que sempre teve a coragem de denunciar claramente, prontamente e a tempo! Leram e conheceram os bracarenses católicos a homilia que proferiu no Sameiro no dia 15 de Maio de 1982?).

João Paulo II denuncia os abusos, clarifica e promove uma Liturgia do nosso tempo mas que não é propriedade de nenhum Bispo, Padre, Diácono, Religioso ou Leigos! Contudo os abusos, e alguns severos, instalam-se. Basta ver! Não foi por acaso que um dos últimos documentos deste “Pastor Universal” (lembram-se os bracarenses do canto com que o recebemos, da autoria do nosso Cónego Faria?) foi dedicado à Eucaristia! Quantos de nós já leram esta Exortação Apostólica?

O Papa assiste, impotente mas não calado, à escalada tenebrosa da legalização da Eutanásia… Como não se cala face à praga do divórcio generalizado e estimulado…

Como não se cala face ao sofrimento que lhe causam os esforços que, um pouco por todo o lado, se fazem para equipar as uniões homosse-xuais ao casamento… Como não se cala face aos casos de pedofilia que abanam a Igreja na América.

As deserções e as infidelidades dos consagrados e casados, são outra fonte do sofrimento do papa.

Sim, este Papa que Deus nos deu durante 26 anos, foi um mártir e o martírio maior foi-lhe causado pelos Seus: nós!

Foram as nossas traições, as nossas infidelidades e as nossas desobediências, ou falsas obediências (que são bem piores do que aquelas!) que lhe causaram o maior sofrimento.

Nesta hora de esperança, já que João Paulo II continua presente nos seus escritos e vida e no Céu vai interceder por nós e em que o Espírito Santo vai iluminar os Cardeais na escolha do Seu sucessor, penso que nos resta somente erguer nosso pensamento e dizer: Obrigado, Senhor, pelo dom que nos deste em João Paulo II. Perdoa-nos os nossos pensamentos, obras, palavras e omissões que tanto magoaram João Paulo II.




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