Fotografia:
Morte santa de um santo padre

Temos que dar graças a Deus pelo dom do Santo Padre que nos concedeu, durante mais de um quarto de século, e pedir-lhe que guarde, perpetuamente, bem junto de si e de Maria Santíssima, a santa e bela alma de João Paulo II

N/D
7 Abr 2005

O mundo chora a morte de João Paulo II como nunca antes chorara a partida de nenhum outro Papa. É certo que, no passado, outros pontífices houve cuja santidade foi reconhecida e que, por via disso, mereceram a graça e as honras do altar.
Mas nenhum dos seus predecessores teve a oportunidade e os meios técnicos que, aliados ao seu carisma e à sua inabalável fé, lhe permitiram tornar-se um autêntico pastor universal da humanidade. Católicos, crentes de outras confissões religiosas, agnósticos e ateus, todos foram destinatários da mensagem de amor, paz e fraternidade que fez questão de levar pessoalmente a quase todos os países da Terra, com a força do seu exemplo, da sua vivíssima fé e da sua enorme coragem e determinação.

Conheceu como ninguém as ovelhas do seu rebanho a cujo pastoreio se entregou totalmente. Foi capaz de perdoar a quem o tentou matar, visitando na prisão os autores dos crimes de que foi vítima. A todos amou, atendeu, visitou e confortou, sem discriminações. E, por isso, pela generalidade das pessoas foi reciprocamente amado e respeitado.

Defendendo frontal e coerentemente a vida, em todos os seus estádios, desde o seu início até ao seu final, protegendo constantemente os pobres e os oprimidos, lutando pela liberdade das nações e dos povos que a não têm, cultivando activamente a justiça, a paz, a tolerância, o perdão e o ecumenismo, chamando a atenção para a situação dos idosos, dos doentes e dos excluídos, o Sumo Pontífice espalhou na Terra, com a sua palavra e com os seus actos, a doutrina que, há dois mil anos, Deus quis que o seu Divino Filho revelasse aos homens.Com a humildade de quem sempre procurou servir Deus e o próximo, de João Paulo II se pode, pois, dizer, como já alguém muito bem disse, que através do seu apostolado, “Cristo voltou a passar na Terra”.

E, apesar de cedo (tinha então 9 anos) ter perdido a mãe, também ele adoptou Maria Santíssima como sua Mãe, intuindo, ainda bem novo, a importância da teologia mariana no aprofundamento da dimensão humana da fé e do culto a Deus.

Não admira, por isso, que a Divina Providência tenha querido associar o Papa que amanhã vai a enterrar ao cumprimento da mensagem que a Virgem de Fátima deixou a Jacinta e Francisco, beatificados durante o seu pontificado, e à irmã Lúcia, recentemente falecida: a oração e penitência, como meios privilegiados de salvação da humanidade, têm de ocupar um lugar de destaque na vivência quotidiana dos católicos (e também não católicos). Foi justamente para acentuar a importância desta mensagem e daquela teologia que o Papa visitou a Cova da Iria três vezes, consagrando-a, definitivamente, como altar do Mundo.

Finalmente, não posso deixar de sublinhar a circunstância de, até no sofrimento e na morte, João Paulo II se ter assemelhado a Cristo: “Jesus, confio em ti, tem misericórdia de nós e do mundo inteiro”, disse o Papa na última mensagem que escreveu para o primeiro Domingo depois da Páscoa, quando já estava gravemente enfermo e prestes a entrar em agonia.

Com tamanha fé, do jeito daquela que é capaz de mover montanhas, João Paulo II venceu a doença e a morte e mostrou-nos que o caminho da salvação e da vida eterna que logrou alcançar está aberto a todos quantos, imitando Cristo, convictamente, o desejem trilhar.

É por isso que, temos que dar graças a Deus pelo dom do Santo Padre que nos concedeu, durante mais de um quarto de século, e pedir-lhe que guarde, perpetuamente, bem junto de si e de Maria Santíssima, a santa e bela alma de João Paulo II.

Adeus, Papa de Fátima. Adeus, peregrino da paz.




Notícias relacionadas


Scroll Up