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825. Meu Caro Zé

Vivemos, cada vez mais, num tempo fora do Tempo! Isto quer dizer que o ritmo de vida é alucinante e as coisas passam por nós como por encanto e com uma leveza que mal dá para as sentirmos e digerirmos. Quais meteoros de firmamentos distantes e vários.

N/D
6 Abr 2005

1Vivemos, cada vez mais, num tempo fora do Tempo! Isto quer dizer que o ritmo de vida é alucinante e as coisas passam por nós como por encanto e com uma leveza que mal dá para as sentirmos e digerirmos. Quais meteoros de firmamentos distantes e vários.

As alegrias breves, as tristezas fluidas, os projectos obtusos, falazes e redondos são uma constante, uma expressão de vida a uma ou nenhuma incógnita. Obviamente, um hoje que é preciso agarrar e espremer!

Dizia-me, há dias, um bom amigo que o tempo não lhe chega para nada. E eu respondi-lhe que, talvez, ele não saiba mas é dimensioná-lo, matizá-la! Porque, quando se quer abarca-lo, chegando ao limite de tudo, aí esbarramos com um muro de frustrações, vazio e impotência.

Temos, meu velho, de viver para além da obliquidade e da pressa. Do garrote do Tempo, sobretudo!

E pensarmos que há sempre um Tempo para rir como para chorar, para sofrer como para usufruir, para amar como para odiar, para nascer como para morrer! E darmos um sentido, claro e dirigido, ao mais pequeno gesto como à mais longa acrobacia, ao sorriso mais largo como ao mais leve arrepio epidérmico…

Dar, enfim, sentido e valor ao Tempo!

2. Por isso, vamos, hoje, a uma lição sobre valores. À primeira lição sobre valores. E perguntar-me-às tu:

– Mas, o que é isso de valores?

E eu respondo-te que valores há muitos e, frequentemente, ouves falar em valores numéricos, selados, imobiliários, da bolsa… Enfim, dinheiro, matéria, valores materiais.

Todavia, caro Zé, não é destes que te quero falar. Mas, antes, e pondo de parte questões ontológicas e fenomenológicas (filosofices), de valores éticos (culturais, morais, religiosos, sociais) ou seja, o que é considerado digno, belo, verdadeiro, segundo um juízo pessoal feito de acordo com os padrões sociais de determinada época.

A liberdade, a igualdade, por exemplo, são valores a preservar e defender, porque são bons para as pessoas e para o país.

– Falaste em filosofices?

É. Filosofices, por exemplo, de um J. Bentban, de um Lalande ou de um R. Polin. Pois é, em termos filosóficos, valor é a expressão da validade ou do valer de uma coisa ou acto. Aquilo que torna valiosos os seres.

Lembras-te, com certeza, da trilogia Deus, Pátria, Família do Estado Novo e a que, desde a escola primária, os educadores (pais e professores) e os livros faziam apelo constante?

Eram três valores, como três alicerces, três pilares considerados estruturais, basilares da sociedade e que, como tal, se deviam incutir e, bem cedo, nos jovens.

– Mas, hoje, fala-se muito em crise de valores…

Não diria assim. Porque os valores são imperecíveis, talvez o que mais vemos, nos tempos que correm, é uma ausência lamentável de valores de que resulta a frequente falta de respeito mútuo, a violência, a intolerância e a corrupção.

E, consequentemente, arrasta muita juventude para a droga, a marginalidade, a delinquência, a prostituição…

Por exemplo, que é feito dos valores como: a honestidade, o voluntarismo, a obediência, a responsabilidade, a coragem, o esforço, o trabalho, a alegria? Valores que fazem as sociedades crescer e progredir! E os homens voluntariosos, criativos e empreendedores!

Todavia, vivemos num tempo em que o hedonismo, o relativismo, o consumismo, o laxismo, o individualismo, o comodismo, o facilitismo estão na moda e são assumidos como a melhor forma de ser e estar na vida. E como antivalores que são, facilmente, corrompem e destroem a sociedade.

E, então, quando tanto se começa por aí a defender o aborto e a eutanásia, é o valor vida (supremo valor) que está em causa, que está em perigo! Ou porque pouco valor se lhe dá ou porque de todo se perdeu a dignidade e a honra!

A morte do Papa João Paulo II, muito sofrida e assumida, é um hino à vida, à defesa intransigente da vida.

E, por hoje, meu velho, a lição já vai longa e ficamos por aqui Para a semana prometo-te a segunda lição que espero possa ser uma lição de esperança, uma lição de vida!

Venham daí esses ossos e até de hoje a oito!




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