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Refundar a Direita!

Afastar formas de egoísmo latente, que de todosse vai apoderando, é o primeiro passoda grande caminhada que tarda a começar

N/D
5 Abr 2005

Após as eleições de 20 de Março, vem-se assistindo ao aparecimento de vários artigos de opinião e depoimentos de diversas personalidades reclamando a urgência da direita em Portugal rever todo o modo de se apresentar ao país, havendo mesmo quem fale da necessidade de uma verdadeira refundação.

Ora, como a palavra significa é preciso tornar mais funda a mensagem, mais clara e sem rodeios de afrontar, na defesa das ideias e dos valores que unem as direitas.

Torna-se presente que os partidos, as associações e as pessoas que se revêem nesses valores não receiem de dizer o que pensam e o que propõem para a sociedade numa linguagem acessível para o comum dos cidadãos, de modo a chamá-los a intervir de uma forma participada e mais consciente nos problemas da comunidade.

Depois do último desaire eleitoral, que colocou uma maioria de esquerda no Parlamento e deu clara vitória ao Partido Socialista, mais do que apontar culpados é forçoso criar as condições para que o povo das direitas possa de novo iniciar o caminho do regresso. É este o cerne da democracia e uma das suas virtuosas qualidades.

Na perspectiva de que isto venha a acontecer, há que mobilizar os descrentes, mas sobretudo os capazes de contribuir para a construção de uma alternativa credível, alicerçada nos valores da vida, da família, do trabalho, da propriedade, da solidariedade, da justiça e da igualdade de oportunidades, em liberdade e democracia.

Neste sentido, torna-se imperioso que os partidos franqueiem as portas às pessoas de boa fé que desejem intervir e participar de forma empenhada e procurem, também eles, organizar e patrocinar essa discussão com vista a empenhar mais indivíduos na vida colectiva.

É urgente que os partidos políticos em geral e, em particular, os que se situam à direita do espectro político não se continuem a afunilar e a gravitar à volta do mesmo nicho de pessoas das classes dirigentes.

É claro que para modificar este “modus vivendi” é preciso que as mesmas abandonem de vez o medo de poderem ser substituídas e tenham a humildade de encarar a possibilidade de outros mais hábeis poderem fazer mais e melhor, libertando-se de uma visão egocêntrica da política, tornando-a mais inovadora e criativa.

A vitória do Partido Socialista foi esmagadora. Mais de 2.500.000 votos.

Mas não devemos esquecer que bastante mais do que 3.000.000 de portugueses optaram por não votar. Fazer com que boa parte desta gente volte a intervir de forma activa no destino colectivo é um desafio a que urge meter mão.

Só induzindo as pessoas a comungar desse esforço é possível levá-las a uma maior intervenção. De outra maneira continuaremos a assistir ao enfraquecimento e à consequente descredibilização das classes dirigentes comprometendo-se a propalada refundação das direitas em Portugal.

Hoje, mais do que em qualquer época, a sociedade individualizou-se de um modo extremo e cada pessoa procura, cada vez mais, viver para si próprio. Há que fazer o necessário para modificar esta forma de estar promovendo os meios para o alcançar.

Se assim não for, cada um procurará manter-se no seu canto, alheando-se compulsivamente de tudo o que lhe possa causar dano e cultivando um amorfismo pouco saudável para quem tem que viver em sociedade.

Afastar formas de egoísmo latente, que de todos se vai apoderando, é o primeiro passo da grande caminhada que tarda a começar.

P.S. – Na hora de luto pela partida do Papa João Paulo II não quero deixar de manifestar o meu tributo ao Homem que em tempos tão difíceis soube conduzir a Igreja e que com o seu exemplo, determinação e coragem mais contribuiu para as profundas modificações geopolíticas ocorridas na segunda metade do século XX.

Os seus ensinamentos perdurarão no tempo e a sua presença será eternamente recordada.

É sem dúvida a personalidade mais marcante do último século. A João Paulo II o meu preito de homenagem.




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