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Nótulas soltas da minha agenda

Será que se justificam tantos foguetes e procissões para promover uma cultura viva da nossa fé?

N/D
4 Abr 2005

1 Estou a ler um livro excepcional. Deixem-me que partilhe convosco o prazer espiritual que estou a ter. Trata-se do “Testamento” do famoso Abbé Pierre, fundador das Comunidades Emaús. Dizia-me alguém a quem falei deste Homem (Vir!) que era preciso que todos os padres fossem assim. Respondi-lhe, convictamente, que em cada país bastariam meia dúzia (6!). A força da sua vida está no seu exemplo de vida. Cada página dá para meditação sobre a nossa adesão à Fé, a Fé com obras. Viva, portanto.
Um Homem eucarístico e que do Tabernáculo partia para a acção com os “sem abrigo”. Comprometido até à medula, com Cristo presente em cada excluído. (Para os curiosos, o título do livro é: “Testament”. Editora: Bayard Editions, 1994).

2. Morreu Terri Schiavo. Mataram-na. E o crime passará impune. Apesar do envolvimento ao mais alto nível político e religioso. Lamento. Receio que a eutanásia (que não foi!) se venha a implantar rapidamente. Na realidade, como Homem e Cristão, creio firmemente que o grande combate de hoje é pela “Cultura da Vida”.

Precisamos de nos comprometer rapidamente (e já estamos atrasados!) de corpo e alma na defesa e promoção da Vida. E não só da Vida Humana. Mas, sobretudo pela e com a Vida Humana. Como cristão não posso deixar de lamentar o tempo, energias e dinheiro que se esbanjam em actividades desfasadas do nosso tempo e dos sinais do tempo. Andamos, muitos de nós, a querer persistir viver num mundo que já não é este.

Permita-se-me uma (grande) provocação: será que se justificam tantos foguetes e procissões para promover uma cultura viva da nossa fé? Se o futuro ainda não existe, não é no passado que temos de viver, mas no presente, no aqui e agora, que recebe o passado, o acolhe e transforma hoje para o projectar no futuro que imaginamos e que queremos seja mais justo, crente, tolerante… A memória, que é fundamental, não é, porém, o presente! E viver no passado, com o passado e para o passado não me parece que se adequa ao presente que, sem dúvida deve alimentar do passado transformando-o para que se torne autenticamente hoje.

Voltando ao princípio: a morte de Terri Schiavo deve inquietar-nos. Muito.

3. Soube que em Ponte de Lima se vai criar a Confraria do Arroz de Sarrabulho. Parabéns a quem teve tão feliz ideia. Considero que este prato típico, e que urge preservar na sua tipicidade e qualidade, é um ex-libris desta princesa do Lima. Sou um fã incondicional do Arroz de Sarrabulho. Aprecio, muito, esta especialidade gastronómica.

Por isso, fiquei satisfeito por saber que vai haver uma estrutura de promoção (será que ainda precisa de ser promovido?) e, sobretudo, de preservação e garantia da alta qualidade deste prato.

“Confrarias” como esta, que em França já têm uma larga tradição, são muito importantes para a salvaguarda da memória culinária, património de um povo que corre o risco de se deixar “fastofoodizar”. Parabéns, pois, aos limianos que tiveram tão feliz iniciativa!




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