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Não metamos a foice em seara alheia

Temos que valorizar a exigência e não ter vergonha de ir buscar ao passado o que de bom existia

N/D
4 Abr 2005

Vivemos numa sociedade em que uma grande percentagem pensa dominar tudo, ultrapassando as suas competências próprias, entrando em domínios para os quais não tem a mínima preparação, arvorando-se em autênticos sabichões e quando se apercebem estão a desvirtuar a sua própria função.
Hoje vou falar de casos que, ao longo da minha carreira, tenho presenciado nas nossas escolas, encarregados de educação muito competentes, sabendo ocupar a sua autêntica função, colaborando com a escola, atentos a tudo e justos nas suas atitudes. Outros que só sabem derrubar e deitar por terra o esforço dos que trabalham, felizmente poucos, mas suficientes para incomodar. A sua função é procurar só os pontos fracos e nunca valorizar os bons daqueles que lutam pelo bem dos seus educandos.

Actualmente há encarregados de educação, para não falar de outros, que pensam saber tudo, pondo em questão o trabalho e a orientação das aulas pelos professores. Querem fazer como determinados pacientes que chegam ao consultório médico, falando doutro domínio, e já põem em questão os medicamentos receitados e questionam os profissionais de saúde.

São autênticos dilemas: se os professores são exigentes afligem-se porque os filhos não conseguem ou esforçam-se demasiado! Se acontece o inverso lamentam-se porque os filhos não aprendem nada! Se os filhos tiram boas notas o mérito é todo deles, se, ao invés, há dificuldades no processo de ensino/aprendizagem o problema recai por inteiro nos docentes. Isso é saber educar? É querer o bem dos seus filhos? É preparar-lhes um bom futuro ou “arranjar lenha para se queimarem”?

Atenção! Saibamos ocupar o nosso lugar, acatando os ensinamentos dos verdadeiros pedagogos que investiram, durante muitos anos, para desempenhar aquela tão nobre tarefa de educadores. Só assim é que um dia receberemos toda a recompensa dos nossos próprios filhos, porque soubemos dar-lhes a verdadeira educação, caso contrário acabamos por ser vítimas do nosso próprio erro!…

Quando comecei a trabalhar, poucos anos após o 25 de Abril, fazer ditados, cópias, conjugar verbos (decorando tempos, modos…), cantarolar a tabuada… todos esses métodos eram histórias do passado e qualquer professor que arriscasse usar essas metodologias caía no ridículo, diziam ser processos anti-pedagógicos. O ensino de uma forma lúdica também tem o seu interesse, sobretudo para determinadas fases etárias, mas não exageremos. Temos que valorizar a exigência e não ter vergonha de ir buscar ao passado o que de bom existia.

Nessa altura os pais depositavam toda a confiança pedagógica nos professores e hoje há pouca gente a queixar-se do ensino que lhe foi ministrado, antes pelo contrário, é fortemente elo-giado. Havia exageros, sobretudo na relação professor/aluno, havia casos em que o medo imperava, mas os pais não se lastimavam e hoje, se há uma palavra mais alta ou uma chamada de atenção mais ríspida, aparecem logo a lamentarem-se, mas a maioria compreende e sabe enaltecer o que é bom para os seus educandos.

Os professores fazem tudo para o bem dos alunos. Só em casos muito raros é que poderá haver situações anómalas e, nessas circunstâncias, há todo o direito de chamar à atenção o agente educativo, mas primeiro há que averiguar e não acreditar logo de imediato nos seus educandos.

Procuremos desempenhar a nossa verdadeira tarefa e colaboremos sempre com a escola, depositando nela toda a nossa confiança, pensando sempre no melhor para os nossos filhos, incutindo neles o respeito pelos seus educadores para que um dia possamos ser também respeitados por eles. Saber obedecer, ter humildade e convencimento das nossas limitações, respeitar as hierarquias, compreender os outros, ter confiança e espírito altruísta, são princípios básicos que cada um de nós deve ter sempre presente nas nossas actuações.




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