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Até à vitória final?

Se os abortistas perderem uma vez mais, para quando os terceiro e seguintes referendos? Até à vitória final?

N/D
4 Abr 2005

Em meados do século XIX, Portugal aboliu a pena de morte, primeiramente para os crimes políticos e depois para os crimes civis. Esta última fez com que Victor Hugo saudasse Portugal com uma carta de muito apreço. Presentemente pretende-se instaurar uma outra pena de morte, em Portugal. Se as que foram abolidas nos reinados de D. Maria II e D. Luís recaíam sobre pessoas defesas, a que vai ser referendada, em data próxima futura, recairá sobre pessoas indefesas.
Na Constituição Política Portuguesa, diz-se expressamente: «A vida humana é inviolável. Em caso algum haverá pena de morte. A integridade moral e física das pessoas é inviolável.

Ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanos». Como no nosso país tudo é inconstitucional, até respirar parece ofender a constituição, parece-nos pertinente perguntar se não é inconstitucional negar o direito à vida, desde o primeiro momento da existência. Como é que o aborto não é uma pena de morte, logo inconstitucional, se o que se mata é um ser humano?

Como se defende a integridade moral e física dos pequenos seres se os matam por processos medonhos? Não é isto igualmente inconstitucional? Como se pode dizer constitucionalmente que ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanas, quando o aborto mata, esfacela, tortura, despedaça seres indefesos e que nem sequer pediram para nascer?

Não compreendemos as coisas que parecem ser tão constitucionais para uns tantos e tão inconstitucionais para nós! Os valores sociais, culturais, económicos, financeiros, que os adeptos do aborto apontam existem realmente, mas que valor têm quando comparados com o valor supremo do direito à vida? Então, para remediarem estes males, socorrem-se de males maiores? Que humanismo é este que só olha para um dos lados? Outro aspecto que me tem preocupado é chamar a esta questão do aborto apenas as mulheres. E então os homens não são chamados a pronunciar-se?

Não são co-autores de tudo isto, ou será que a maior parte deles nem sequer chegaram a saber que iam ser pais? Estes não terão uma palavra a dizer? Os/as abortistas não dão ao pequeno ser o direito, também ele constitucional, ao reconhecimento da sua identidade. A espiritualidade, que é amor que se tem ao pequeno ser que vai nascer, é um afecto sem corpo mas com muita essência de amor.

Não há humanismo verdadeiro quando se coloca o egoísmo individual no centro onde deveria estar o homem. Se me perguntam se as mulheres que provocam o aborto devem ser condenadas, eu dou a resposta com outra pergunta: se o aborto é uma morte premeditada, que castigo deve ser aplicado àquele que mata dolosamente?

Ou será que o homicídio muda de nome, qual camaleão de ambiências, consoante os casos de morte? Esta é a ferida em que devemos tocar com cuidado para não chagar.

Os que defendem o direito à vida, e que entendem que ela começa no começo, e não a não sei quantas semanas legais, têm o dever e a obrigação moral de serem contra esta pena de morte. Se não será caso para perguntar: onde começa a hipocrisia e acaba a convicção? Ao Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, não se pode perguntar: onde acaba a prudência e começa a cobardia.

A ele não e a quem mais não podemos perguntar? Referendar coisas do foro da consciência não é um direito é um esbulho quando não uma profanação. Uma pergunta: se os abortistas perderem uma vez mais, para quando os terceiro e seguintes referendos? Até à vitória final?




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