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Pela Imprensa Estrangeira

Do Leste, neste momento, tudo é possível. Há meses que vimos referindo que nada de violento dura

N/D
3 Abr 2005

Do Leste, neste momento, tudo é possível. Há meses que vimos referindo que nada de violento dura. O “El País” de 25 de Março fazia uma alusão à próxima visita da Presidente da República Báltica da Letónia, a Senhora Vaira Vike Freiberg, da qual destacamos: “Mulher de armas, Vaira Vike Freiberg, disse que, ainda que os seus homólogos da Estónia e Lituânia não assistam, ela viajará à Rússia para participar a 8 de Maio, na celebração do 60.º aniversário da vitória sobre os nazis, com a esperança de que Vladimir Putin peça perdão pela tirania que nesse dia José Estaline impôs sobre os países bálticos”.
Pode ser que, depois do encontro de Bush com Putin, depois de Zapatero, Shroeder e Chirac lhes darem as mãos em Paris, depois da revolução das rosas da Geórgia, da revolução laranja da Ucrânia, da revolução das tulipas no Quirguistão, uma república de 5,5 milhões de habitantes, vizinha da China, mas, no entanto, cobiçada por russos, chineses e americanos em virtude de ser um corredor estratégico, pode ser, dizíamos, que Putin peça perdão.

Seria interessante mas o certo é que ainda há vários países da CEI (Comunidade de Estados Independentes) que, pelo menos psicologicamente o impedem de tomar essa atitude. Seja como for, não deixa de ser notória a reacção de Putin, relativamente à primavera do Quirguistão, face à atitude grosseira, que inicialmente tomou em relação à revolução da Ucrânia (“Le Monde” de 26 de Março).

Nesse mesmo jornal se podia ler: “Quer seja a revolução laranja de Kiev, a revolução das rosas de Tibilissi, ou a das tulipas de Bischkek, todos os movimentos permanecem frágeis, nos países ainda muito dependentes do grande irmão russo. A democratização do espaço ex-soviético não será duradouro a não ser no dia em que esta vaga atinja a própria Rússia”.

O “La Croix” de 25 de Março, referindo-se a esta última revolução no espaço ex-soviético, escrevia na primeira página: “Nova revolução às portas da Rússia, (…). A casa aberta, há duas semanas, parece encontrar o seu epílogo. É um novo enfraquecimento para Moscovo, cuja influência na região, não cessa de diminuir”. Mas Putin, a Rússia, em novos movimentos semelhantes não irá permitir que o comboio se afaste. Aliás, o “Le Monde” de 28 de Março referia que Putin, a 25 de Março se declarara prestes a trabalhar com o poder do Quirguistão.

Putin, segundo o “Corrière della Sera” de 27 de Março, não deixa de adivinhar para o risco de caos, na Ásia, por causa dos fundamentalistas islâmicos e do terrorismo.

Na próxima semana iremos acompanhar as notícias relativas à reforma da ONU, que tem de fazer face a vários atropelos aos direitos humanos, dum modo específico no Congo, ao escândalo do programa do Petróleo contra a alimentação, no Iraque, o que fragiliza Kofi Annan. (“Le Monde” de 29 de Março) Claro que as coisas não estão fáceis. Nesse sentido diz o “El País” de 28 de Março: “Dias amargos para Kofi Annan. O Secretário-Geral da ONU, acusado de não prestar atenção ao conflito de interesses de seu filho”.

Acerca da viagem de Jacques Chirac ao Japão, de 26 a 28 de Março, a qual, não só mas também, tem importância para a reforma da ONU, o “Le Monde” de 29 de Março refere: “Paris e Tóquio alimentaram um dialogo estratégico, embora opondo-se à venda de armas a Pequim”.

Em Tóquio, Chirac procurou evidenciar o interesse do «sim» ao referendum de 29 de Maio, que, como vimos mostrando nas últimas sextas-feiras, não anda lá muito bem pela França. A ideia dos fundadores da Europa, teve ocasião de explicar Chirac, “é sair das guerras incessantes, dos dramas, das perdas humanas e, na realidade, do contencioso entre a França e a Alemanha”, construindo “um social europeu”.

Na verdade, é de prever que os partidários do «sim», como Chirac, não percam tempo, para convencer os franceses, sempre que venha a propósito, de que não basta ser cidadão da Europa, mas é preciso aceitar a sua Constituição.




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