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Finalmente um país modernizado

Consola-nos a coragem do nosso líder. Confiamos que, de mãos dadas com o nosso sábio e compassivo presidente, queira conquistar para a nossa nação o direito a matar quem quisermos e quando quisermos, desde que seja doente, fraco, pequeno, incapaz de se defender ou gritar

N/D
3 Abr 2005

O anúncio corajoso do nosso primeiro-ministro sobre o empenho pessoal com que pretende acompanhar e apoiar a liberalização do infanticídio no nosso país merece os maiores louvores. Finalmente avançamos (Avante, camaradas, avante!) rumo a uma autêntica modernização de Portugal, como o chefe de governo soube sublinhar.
Não nos surpreende a satisfação do deputado Alegre, que logo acolheu a atitude corajosa e empenhada do chefe de governo. Sócrates demonstrou um enorme sentido das prioridades. Não estamos depois de um governo socialista, portanto não é de governação e trabalho que precisamos, isto não está brilhante, mas havia quem no anterior governo trabalhasse e portanto ainda há uns cobres para gastar.

É nestes momentos históricos que são necessários governos socialistas, quando é necessária a ousadia de fazer revoluções ideológicas profundas, mudar os costumes, deitar por terra fundamentos velhos para tudo instituir a partir das cinzas.

Depois de tempos obscuros de uma lei que defendia a vida de alguns, apesar de não defender todos, damos finalmente um passo em frente, cada vez mais próximos das elites iluminadas que, incansáveis, não desistiram de civilizar estes bárbaros retrógrados que somos.

Somos, não – envergonhamo-nos de o ter sido, mas provámos com a nossa majoritária votação que desejamos acompanhar os nossos líderes na construção de um país onde cada mulher possa matar o seu filho quando bem lhe apetecer, dona e senhora do seu corpo como do corpo e vida de alguém que merece morrer porque nem de se defender é capaz. Muito bem! Isto sim é liberdade! Já um tal Adolfo, homem sensível e talentoso nas pinturas, dizia que os fracos devem perecer, pois é essa a lei natural a que o universo todo obedece.

O nosso primeiro bem definiu que conquistas vem oferecer-nos: muita coisa mudou desde o tal referendo obscuro que provou o nosso atraso civilizacional e agora estamos prontos para entrar no mundo moderno, o admirável mundo novo onde o infanticídio e o “amor gay” são as conquistas máximas, coroação de uma marcha vitoriosa rumo a um futuro iluminado e livre.

Somos cidadãos felizes. É-nos dado viver e participar num momento histórico solene. E só uma nuvem ensombra a nossa alegria: quanto tempo ainda temos que tolerar entraves ao direito das mulheres de matar os seus filhos sem antes terem que prestar contas dos motivos.

Consola-nos a coragem do nosso líder. Confiamos que, de mãos dadas com o nosso sábio e compassivo presidente, queira conquistar para a nossa nação o direito a matar quem quisermos e quando quisermos, desde que seja doente, fraco, pequeno, incapaz de se defender ou gritar. Viva o socialismo. Este nosso, tão nacional, o nosso tão nacional socialismo.




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