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O valor da vida humana

É altamente louvável o voluntariado que se dedica, muitas vezes através do telefone, a ouvir essas pessoas solitárias que apenas querem um pouco de atenção e companhia e precisam de quem as escute

N/D
2 Abr 2005

O valor da vida humana está em queda livre – fazendo-o depender de uma eleição supostamente livre. O caso mais mediático é actualmente (quando escrevo estas linhas, e talvez já o não seja quando forem publicadas), o de Terri Schiavo, de 41 anos, que o marido diz estar em coma vegetativo o que contraria a opinião dos pais da paciente, pois entendem, e bem, que ela reage a certos estímulos.
Parece que a consulta ao Tribunal Federal de recurso de Atlanta dá razão ao marido, mas os pais não se conformam e querem recorrer mais uma vez. O Congresso norte-americano aprovou, em sessão extraordinária, uma lei para impedir a morte de Terri, mas parece que, mesmo assim, a sonda de alimentação lhe vai ser definitivamente retirada e ela acabará por morrer, talvez em sofrimento. E se perdessem o tempo com usar os cuidados paliativos? Talvez fosse a maneira mais humana de lidar com o assunto.

Por este caminhar em breve teremos o suicídio como uma opção legítima e como um direito, aliás profetizado já em 1971 por A. Alvarez no seu livro “The Savage God”. O autor menciona uma passagem de Dostoyevsky onde ele afirma que só há dois motivos para não nos suicidarmos em massa: a dor e o medo do outro mundo. Com o progresso da ciência que já consegue evitar ou atenuar o sofrimento e a secularização actual que nem pensa no outro mundo, estamos a deslizar perigosamente por um plano muito inclinado.

O que aconteceu com o aborto que começou por ser legalizado só em casos de excepção e com o infanticídio que era impensável e depressa se tornaram algo de vulgar e corrente, também agora está a acontecer com a eutanásia: tentam legalizá-la “com um controlo muito estrito”, que já sabemos se tornará rapidamente sem fronteiras. Para cúmulo surge agora o direito à opção do suicídio – é a apologia da “ética de eleição”.

Quem assim pensa ignora que as pessoas muitas vezes tomam decisões que lhes são prejudiciais. E o problema reside aí – quem defende a “liberdade de eleição”, julga que cada um toma sempre a “melhor” opção. É pois necessário discernir o que são valores e o que são contra-valores. Os que defendem o aborto consideram que ele é um bem; os que defendem a eutanásia e o suicídio assistido chamam-lhe “morte suave”. Estes mesmos já não defendem a liberdade de eleição em casos, como por exemplo, fumar num avião, pois tal causa prejuízo a terceiros…

Hoje em dia quando se fala de opções sobre a vida e a morte, parece que se está a falar da escolha de um carro, de um emprego ou de um vestido. A única lei moral aceite é a que se fundamenta na apreciação pessoal do bem. Ora nós, os seres humanos, somos muito influenciáveis, a começar pela publicidade que nos leva a comprar ou usar aquilo que nem pela cabeça nos passava.

Quer o suicídio, quer o aborto, quer a eutanásia são geralmente adoptados em momentos de crise e portanto são decisões subjectivas e enganosas; o mais dramático é que são opções irreversíveis – uma vez postas em prática ninguém pode arrepender-se e voltar atrás.

Se com a legalização do aborto e o caminhar para a legalização da eutanásia, já estamos a rebaixar muito o valor da vida humana, o que será quando o suicídio também for legalizado? Antigamente falar de suicídio era tabu; agora querem dar-lhe estatuto de opção!

O que leva muitas vezes ao suicídio é a vulnerabilidade das pessoas, que se sentem sós e abandonadas, quer sejam idosos considerados um fardo pelas próprias famílias, quer sejam crianças pouco atendidas pelos pais, quer sejam doentes terminais a quem não são devidamente ministrados os cuidados paliativos e a terapia da dor. Outro factor que também leva ao suicídio é perda em ritmo acelerado da fé religiosa, do amor à família e da família, da amizade, etc., imperando o egoísmo e o materialismo.

Por isso é altamente louvável o voluntariado que se dedica, muitas vezes através do telefone, a ouvir essas pessoas solitárias que apenas querem um pouco de atenção e companhia e precisam de quem as escute.




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