Fotografia:
Clarifiquemos as coisas

Queimar pneus ao ar livre é um crime contra o ambiente e a saúde pública pela toxicidade dos poluentes libertados para a atmosfera durante o processo de combustão. Os fumos libertados podem colocar em perigo a saúde das pessoas.

N/D
2 Abr 2005

A prova disso é o facto de na sequência do incêndio dos pneus ocorrido no dia 8 de Março, no Autódromo de Palmeira e cujo rescaldo se prolongou por alguns dias, houve várias pessoas que apresentaram dificuldades respiratórias e até houve um habitante das proximidades que recorreu ao hospital com uma crise asmática.
Enterrar lixo ou qualquer tipo de resíduos perigosos constitui igualmente um crime contra o ambiente e a saúde pública, pois contamina as águas subterrâneas tornando-as impróprias para consumo humano.

Face a estas duas premissas o que se passou na noite do dia 8 de Março no Autódromo de Palmeira foi um crime contra o ambiente e contra a saúde pública. As causas e autores ainda estão (e provavelmente estarão) por encontrar (o que é pena).

Como cidadão limitei-me a denunciar a ocorrência às autoridades competentes e a fazê-lo publicamente, por uma questão pedagógica e de prevenção.

Em resposta à minha atitude, o Presidente do Clube Automóvel do Minho e da KIB, endereçou um comunicado ao Diário do Minho, o qual, para além de um belo exercício de demagogia e de velada difamação, pouco ou nada contém que esclareça o sucedido e mais importante que isso, nenhuma garantia dá aos Palmeirenses (e não só) que ocorrências tão nefastas, jamais se repetirão.

Ao invés de tentar denegrir a imagem de quem teve a ousadia de denunciar este Dantesco acontecimento, gostaria de sugerir ao sr. Álvaro Miranda que redigisse um segundo comunicado que esclarecesse as seguintes questões:

– Fizeram tudo o que estava ao vosso alcance para evitar o incêndio? Se sim, porque estavam os pneus naquele local, amontoados daquela forma e sem qualquer protecção?

– Fizeram tudo o que estava dentro das vossas possibilidades para controlar a ocorrência?

– Apresentaram queixa à GNR para que esta averigue este crime ambiental e de saúde pública?

– Que garantias dá à população de Palmeira que estes sinistros acontecimentos não voltarão a repetir-se?

– Porque estavam a tentar enterrar os resíduos resultantes da combustão dos milhares de pneus incendiados e não os levaram para um local de deposição segura?

No seu comunicado, vangloria-se o sr. Presidente do CAM e do KIB de ser um verdadeiro cidadão, de dar emprego a muita gente, de ter investido imenso dinheiro nas infra-estruturas, destas serem uma mais valia para o país, a região, etc.

A minha percepção, é que a existência e sobretudo o funcionamento de um autódromo em Palmeira, com as características deste, está longe de merecer a concordância da maioria da população desta freguesia. Os motivos são óbvios. Essa infra-estrutura pouca mais valia tem trazido à freguesia e tem, isso sim, incomodado muita gente.

São inúmeras as pessoas que se queixam do ruído provocado pelos carros e motos que frequentemente circulam nessa pista, provavelmente atentando contra a lei do ruído (embora eu nunca tenha feito medições tenciono vir a fazê-lo). Também os ruidosos e poluentes carrinhos de quatro rodas incomodam muitos moradores, (como poderá constatar se os questionar). E os proprietários dos terrenos. Terão visto o seu valor aumentar ou diminuir devido à existência do autódromo?

As contrapartidas para os moradores de Palmeira e freguesias vizinhas são inexistentes. Que desconto têm as pessoas que são afectadas pelo ruído quando pretendem assistir às provas?

Porque é vedado sistematicamente o acesso aos hangares dos pára-quedistas aos residentes desta freguesia quando há provas?

Porque afirmou o sr. Presidente do KIB que quando pratico exercício físico, (altamente recomendado pelos médicos), estou a violar a “sua propriedade”. Fico agora a saber que todos os que frequentam esse espaço, o fazem violando propriedade privada e só por um gesto de grande condescendência, o continuarão a fazer.

Tanto quanto sei, os terrenos que o autódromo ocupa no presente, foram cedidos pelos antigos proprietários para fins exclusivamente aeronáuticos. Parece que os sr.s apenas têm um protocolo de cedência do espaço assinado com a Câmara de Braga. Embora não discuta o valor legal desse acordo com a autarquia, no plano ético parece-me condenável.

Quando era criança, era aí que livremente brincava com os da minha geração. Agora todo aquele espaço está dividido em pequenos “coutos”, sem que os habitantes de Palmeira tenham sequer uma pequena parcela para seu uso próprio. O que se fez no campo de aviação foi equivalente ao que os colonos fizeram aos povos indígenas.

Ficaram-lhes com o território e condenaram-nos a viver em reservas. Uma instituição como a vossa devia até encorajar e criar condições para que os moradores de Palmeira aí pudessem fazer exercício físico. Também a Câmara de Braga deveria fazer um circuito pedestre em volta da pista, (sugestão que já várias vezes apresentei à Junta de Freguesia) para a prática da tão necessária actividade física. Dessa forma talvez os moradores ficassem ressarcidos dos incómodos provocados pelo ruído e assim talvez se justificasse a concessão do estatuto de instituição de Utilidade Pública ao KIB.

Por último gostava de saber se tudo o que está e foi feito naquele local, foi a expensas da KIB ou se receberam ajuda da Câmara de Braga ou de outras instituições públicas (em numerário e/ou em bens e serviços)?

Se foi com a ajuda da Câmara ou de outra qualquer instituição pública que ergueram aquele império, não me venha falar em investimento de não sei quantos milhares de euros, e gostaria que fosse mais humilde, pois para além de como Palmeirense considerar uma usurpação a ocupação daquele espaço, se receberam dinheiros públicos devem lembrar-se que nós somos contribuintes e como tal também pagamos. E isso dá-nos o direito de reivindicar contrapartidas.

Para terminar gostava de dizer apenas que espero que não voltem a repetir-se situações como as que ocorreram no dia 8 de Março e seguintes. Desejo ainda que comecem a pensar em controlar o ruído que tanto afecta os moradores de Palmeira.

Estou convencido que se em Portugal fossem feitos estudos de impacte na saúde das pessoas essa estrutura ou deixava de existir ou teria que modificar as suas práticas.




Notícias relacionadas


Scroll Up