Fotografia:
Procura-se retrato famoso e valioso!

Pela calada, os partidos envolvidos mantêm-se em silêncio. Toda a gente quer saber por onde pára o já célebre retrato. Mas o silêncio é de ouro

N/D
1 Abr 2005

Nasceu a 21 de Julho de 1941 na Póvoa de Varzim. Licenciou-se em Direito em 1963; no ano seguinte obteve uma pós-graduação em Político-Económicas e três anos depois doutorava-se e passava a leccionar, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, a cadeira de Direito Administrativo.
Seguiu as pegadas académicas do seu mestre, mas sem pisar o seu trilho político. Apesar de ser considerado um reputado especialista no ramo de Direito Público, era pouco citado no meu tempo de Coimbra.

Em Lisboa, pontificava o Prof. Marcelo Caetano e em Coimbra o Professor Afonso Queiró. Era tal a rivalidade que, quando um examinando estava para prescrever à cadeira deste mestre, o aluno acabava por levar o dez, mas advertindo-o: “é para não ir para Lisboa aprender asneiras, vá-se embora”.

E assim se foi dedicando ao ensino até ao 25 de Abril de 1974 o novel professor, sem grande contestação política. Chegado este marco histórico, juntamente com os amigos mais chegados, fundou o CDS do qual foi presidente (1974-1982 e 1988-1991).

Camarate deixa-o politicamente órfão, passando desde então a andar à deriva. Contudo, ainda veio a ser Presidente da 50.ª Assembleia Geral da ONU (1995-96), cujas funções desempenhou com zelo e competência, entrando na História pela porta grande.

No período de Salazar e Caetano não alinhou politicamente com o regime, mas também não o hostilizou. Era politicamente um domesticado, ou melhor ainda, mais um acomodado.

O seu partido subscreveu a ideologia da Democracia Cristã. Eliminados pelo PREC os partidos à direita do CDS, acabou este por se tornar o refúgio de muitos outros que se identificavam com o regime anti-parlamentar do passado.

Contudo, corajosamente o CDS foi resistindo, apesar de uma perseguição violenta movida pelos extremistas abençoados por Otelo Saraiva de Carvalho. O Congresso no Palácio Cristal só não acabou num banho de sangue por milagre.

O seu percurso político pós Camarate foi um desastre. Passa a surpreender pelos erros que vai cometendo e lhe subtraem a credibilidade política dos tempos da AD, onde se distinguiu sobremaneira esse esclarecido humanista político que passou a ser uma referência na-cional – Francisco Sá Carneiro, o mártir de Camarate.

Cegamente, o ex-presidente do CDS caminha para a esquerda, participando mesmo na rua em manifestações anti-americanas de mão dada com os bloquistas.

É o fim da macacada.

Aproveitado pelo PS é convidado para a pasta do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Fora, mas também dentro do partido socialista, a escolha é criticada cá dentro do País, mas também para lá das suas fronteiras.

De cabeça perdida, o CDS-PP apeia da galeria dos ex-presidentes deste partido centrista o seu retrato e envia-o para a sede do Partido Socialista, no Rato. A imprensa diz que o retrato foi devolvido à procedência.

O Partido Popular Europeu risca-lhe o nome que figurava entre as celebridades da família Democrata Cristã. Entretanto, surge o imprevisto.

Dada a sua passagem pela Assembleia da ONU, e também pelo relevo que a comunicação social internacional deu ao seu currículo, e não menos à caricata cena do vai e vem do retrato de um lado para o outro, eis que aparece, no mercado dos coleccionadores europeus, um milionário possuidor de um museu onde desfilam já grandes personalidades históricas.

O milionário mostra-se interessado na aquisição do retrato. Possui já certificado da suspensão do seu nome no Partido Popular Europeu; possui também recortes de jornais estrangeiros sobre o tema; mandou já investigar o teor da carta a enviar o retrato para a sede do Rato.

A sua preocupação é provar a sua autenticidade. Pela calada, os partidos envolvidos mantêm-se em silêncio. Toda a gente quer saber por onde pára o já célebre retrato. Mas o silêncio é de ouro.

Transpareceu já que a personalidade retratada deixou cair um desabafo no sentido de afirmar o direito à preservação da sua imagem. Começou a novela e não se sabe como vai acabar. O coleccionador tem quadros adquiridos por milhões de euros.

Sabe-se também que é um apaixonado pela Democracia Cristã, o que representa uma mais-valia quanto ao interesse manifestado. Retrato procura-se e não tardará uma recompensa para quem descobrir o seu paradeiro.




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