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Rigor na informação

Um povo não informado ou mal informado é um povo facilmente manipulável e a quem retiram um instrumento fundamental para que participe devidamente na vida da comunidade

N/D
31 Mar 2005

A principal exigência que se pode e deve fazer a qualquer jornalista é que seja rigoroso na informação que produz.
Diz mal de si o jornalista que sente necessidade de corrigir notícias que divulgou ou de desmentir afirmações que fez.

Sei que a pressa é uma das grandes condicionantes do trabalho jornalístico. À hora prevista o jornal tem de estar nas bancas com conteúdos actuais e de interesse. Mas o rigor da informação exige que o jornalista disponha do tempo e meios necessários para se informar devidamente. Para informar é preciso estar informado.

A pressa pode contribuir – e muitas vezes contribui mesmo – para que o jornalista não informe como deve. Para que troque nomes, como por vezes acontece. Para que baralhe dados. Para que omita dados importantes.

Para que produza uma informação mais que superficial. E é pena, porque o cidadão tem direito a uma boa informação e uma boa informação é das exigências do bem comum.

Um povo não informado ou mal informado é um povo facilmente manipulável e a quem retiram um instrumento fundamental para que participe devidamente na vida da comunidade.

A concorrência entre os diversos órgãos de informação é uma das outras pressões a que o jornalista se encontra sujeito, embora a verdade mande se diga que os vários meios de comunicação social são fontes de informação uns para os outros e que os diversos periódicos são cada vez mais iguais.

Há a preocupação de ser o primeiro a dizer as coisas. De, como se afirma em gíria jornalística, apresentar uma cacha. Todavia, continua de pé o princípio segundo o qual é preferível ser o segundo a dizer a verdade do que o primeiro a mentir.

E é preciso que a informação jornalística seja feita de modo que o jornal possa ser, sem sombra de dúvida, uma fonte fidedigna para os historiadores.

Informar é, muito simplesmente, contar o que se passou, onde, quando, como, com que intervenientes e com que consequências. É anunciar o que se prevê aconteça, onde e quando. É contar o que se disse e quem o disse, onde e quando.

Mesmo que se trate de assuntos que não agradam ao jornalista ou ao seu grupo de amigos.

Lamentavelmente nem sempre assim acontece. Ainda há não muito tempo se apresentava como informação, não o que determinada individualidade disse, mas o que os homens da informação imaginavam que ela pensava e estavam persuadidos de que ela devia afirmar.

O rigor da informação exige que se escreva com clareza, sem ambiguidades e sem subjectividades. A cada passo se lê, por exemplo, que em determinada reunião estiveram cerca de quinze pessoas em vez de se escrever que esteve dezena e meia, no caso de se desconhecer o número exacto.

Cerca de quinze pessoas quer dizer catorze pessoas e meia ou quinze pessoas e três quartos? É que se foram catorze ou dezasseis não foram cerca de quinze.

Exige também que os títulos estejam de harmonia com o conteúdo das peças jornalísticas que encimam. Que não digam o que se não encontra na notícia ou na reportagem que titulam.

Que também os títulos correspondam à verdade. Há casos em que, quem só lê os títulos, fica erradamente informado.

Exige ainda que os Meios de Comunicação Social estejam, de facto, ao serviço do bem comum, e não de um partido ou de interesses particulares.

Não é verdade que independência e rigor sejam sinónimos. Pode haver Meios de Comunicação Social independentes onde a qualidade da informação deixe a desejar.

No entanto, a independência é um importante instrumento ao serviço do rigor.




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