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Provavelmente, a melhor coligação do mundo

Ricardo Rio é o rosto certo para ganhar Braga não apenas por ser jovem, não apenas por ser de Braga, não só por ter currículo académico e profissional mas, acima de tudo, por ter sido uma lufada de ar fresco que passou pela política bracarense, abanando os pilares gastos do “mesquitismo” com coragem, dedicação, justiça, memória e vitalidade

N/D
29 Mar 2005

Não me recordaria da data em que foi assinado o acordo “AD” que conduziu o PSD, o CDS e o PPM, “Juntos por Braga”, às últimas eleições autárquicas se não guardasse cuidadosamente a página 4 do Diário do Minho de 29 de Novembro do ano 2000.
O mal das notícias é que são, de facto, efémeras. Confesso que a releitura dessa interessante página 4 do Diário do Minho de 29 de Novembro de 2000 devolve-me à memória uma ideia que já lá não morava: como foi difícil chegar àquele acordo! O principal – e decisivo – argumento a favor de uma coligação residia na vontade dos bracarenses. Os bracarenses, especialmente os muitos que não se revêem nos trinta anos de gestão socialista, não aceitam que as forças da oposição não façam o que estiver ao seu alcance para ganhar. Nesse sentido, a coligação é tão natural como a sede de mudança dos bracarenses.

O ponto é que hoje a recordação dos inúmeros obstáculos que aquela candidatura enfrentou é ténue: a desconfiança inicial entre as estruturas do PSD e do CDS, as direcções nacionais dos partidos que olhavam de soslaio as coligações ou a pressão mediática para que viesse de Lisboa um qualquer D. Sebastião numa qualquer manhã de nevoeiro são meras imagens de arquivo, guardadas nos fundos baús da memória.

Em quatro anos, muito mudou. A “AD” autárquica em Braga, fruto da confiança adquirida e do trabalho efectuado, é hoje muito mais fácil e natural do que era em 2000. Neste contexto, assinalar a coragem política e a visão de Acácio Brito ou a honestidade, verticalidade e espírito de dedicação à causa pública do Prof. Carlos Alberto Pereira é um acto de justiça e uma exigência de quem tem memória, sendo que justiça e memória são atributos fundamentais para quem, à direita do PS, quer ganhar eleições autárquicas em Braga.

A solidez dos alicerces, assentes na vontade dos bracarenses e no entendimento natural das forças políticas, deverá ser ponto de partida para um edifício aberto à sociedade, mas assente no património programático do projecto autárquico que defendemos e na memória dos últimos anos.

Não é por acaso que os autarcas eleitos pela coligação “Juntos por Braga” são alvo de cobiça por parte do poder socialista. O assédio do PS a alguns presidentes de junta eleitos pela coligação não é mais do que um reconhecimento implícito, mas vigoroso, de uma mais-valia programática e pessoal e, em muitos casos, um atestado de menoridade política aos que, pelo PS, pretendiam ocupar ou voltar a ocupar as juntas de freguesia.

Tão pouco será coincidência, por outro lado, a sistemática adopção, muitas vezes pelos piores motivos, com dez ou quinze anos de atraso e, regra geral, em situações de algum aperto, de medidas propostas pela oposição, como no caso recente da privatização parcial da AGERE. A confissão envergonhada do poder basta, por si, para atestar o mérito das propostas.

No entanto, a defesa de uma gestão para o século XXI, mais transparente nas relações entre as suas forças vivas, mais democrática na sua actividade política, mais saudável do ponto de vista ambiental e orientada, em todos os seus aspectos, para a qualidade de vida dos cidadãos deve continuar a pautar o espólio programático da coligação, marcando sem medo a diferença para a política do betão e da bola.

É preciso apontar baterias para a denúncia das promessas não cumpridas, perguntar pelo preço das obras públicas, exigir a justificação dos investimentos realizados, fotografar as pequenas cidades-dormitório dentro da nossa cidade e pedir responsabilidades. Anos depois da promessa, ainda não é possível pescar peixinhos no Rio Este, mas podemos pescar peixe graúdo nos Paços do Concelho, adicionando vitalidade aos ingredientes essenciais para a vitória.

Ricardo Rio é o rosto certo para ganhar Braga não apenas por ser jovem, não apenas por ser de Braga, não só por ter currículo académico e profissional mas, acima de tudo, por ter sido uma lufada de ar fresco que passou pela política bracarense, abanando os pilares gastos do “mesquitismo” com coragem, dedicação, justiça, memória e vitalidade. Acredito que passará um Rio de esperança por Braga. As eleições são já em Outubro.

P.S. – Na mesma página 4 do Diário do Minho de 29 de Novembro de 2000 vem uma notícia sobre as obras do Teatro Circo, de que destaco esta prosa maravilhosa: “A intervenção nesta sala de espectáculos vai custar cerca de 2 milhões e 600 mil contos, devendo estar concluída em finais de 2002”. Eis como a “espuma dos dias” pode tornar-se perigosa quando cultivamos o vício de guardar jornais.




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