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Pela Imprensa Estrangeira

Muitas vezes só se trancam as portas depois da casa ter sido assaltada. Parece que a propósito da pandemia, as coisas já começam a não ser bem assim em muitos países.

N/D
28 Mar 2005

Em artigo intitulado “Como se prepara a França”, escrevia Emmanuelle Chanteppie: “Dois milhões de vacinas foram encomendadas, 40 milhões de doses foram reservadas.
Os representantes de 52 países da Europa Continental reuniram-se: um exercício de alerta está previsto para Setembro (…); a ameaça da gripe das aves propaga-se na Ásia. Ninguém pode dizer quando a próxima pandemia baterá à porta.

Mas nós devemos estar preparados”.

Neste local, já por várias vezes, detalhadamente, ou mais levemente, temos vindo a aludir ao “tsunami”.

Mas também já aqui vimos recordando a má memória de Caim e, nesse sentido, o “Le Monde” de 17 de Março diz: “Do Iraque, depois da guerra, à Ásia post-tsunami, a corrupção prospera nos países em reconstrução.

(…) Os escândalos Euron, Worldcom (Estados Unidos) e Parmalat (Itália) conduziram a que o Banco Mundial seja particularmente vigilante nas atribuições de contactos ligados aos projectos que ele financia”.

No que respeita ao aborto, parece-me ser de verdadeira actualidade transcrever qualquer notícia que a imprensa, por razões religiosas, científicas, culturais, económicas, sanitárias, ou outras, venha a fornecer, que contribua para a formação das convicções, face a um tão delicado assunto.

É o que iremos fazer.

No dia 18 de Fevereiro, no “La Croix” podia ler-se, relativamente a Portugal: “O debate sobre o aborto divide o país e os políticos”. “Condoleezza Rice surpreendeu a América ao declarar-se «moderadamente» a favor do aborto”, lia-se no “Corriére della Sera”, de 13 de Março.

Também aí se podia ler que a Secretária de Estado não disse “não ao aborto”. Ela não espera que o governo imponha o seu ponto de vista.

A 24 de Fevereiro, no “Le Fígaro”, e a propósito de um novo livro de recordações do Papa, escreve Amri Tinq: “João Paulo II compara o aborto, nazismo e comunismo”.

O Papa condenou também “o extermínio legal dos seres humanos concebidos e não nascidos ainda”. “Trata-se de extermínio decretado pelo Parlamento, eleito democraticamente”.

Vamos procurar estar atentos a estas notícias relativamente ao começo da vida humana, à diminuição da natalidade, à redução de casamentos, ao aumento dos divórcios, assuntos interligados (?) (talvez) que, se hoje houvesse tempo para reflectir, como nas antigas noites de serão, talvez ajudasse ao encontro de uma solução global.

Putin e os líderes ocidentais (Schroeder, Chirac e Zapatero). Nos países de Leste, após o início do desmantelamento da antiga União Soviética, os tempos não são muito fáceis para governantes como Putin.

Diríamos que, de um lado “chove”, do outro “cai chuva”. A recente entrada de países daquela região na União Europeia, trouxe necessariamente adaptações, mudanças, etc. Vários países começam a procurar ingressar na UE.

Exemplo da Ucrânia, cujo pedido de apadrinhamento a países – membros tem sido frequente. A título de exemplo (e só a esse título) o “Suddeutsche Zeitung” de 10 de Março trazia um artigo intitulado:

“A Ucrânia espera pela ajuda alemã”, a propósito da visita de Yuschtchenko a Berlim. Aliás, a revolução “laranja” da Ucrânia começa a fazer história.

O “La Croix” de 11 de Março, a respeito das eleições no Quirghizstão, dizia: “Na véspera da segunda volta, a oposição sonha, sem acreditar muito, numa revolução “laranja” sobre o modelo ucraniano”.

Acreditamos que os homens que vão governando povos destes países da Europa vão compreendendo que o melhor é enterrar machados de guerra, de tal modo que não deixem recalcamentos colectivos ou individuais e unir as mãos para caminhar melhor.

Bush veio à Europa estender a mão aos europeus. Schroeder, Zapatero e Chirac trouxeram Putin até Paris, para lhe darem as mãos. Uma foto do “Libération” mostrava Chirac estendendo a mão “a son ami le Tsar”.

Naturalmente que todos os problemas que giram à volta de Putin explicam aquilo que podia ler-se no “Libération” de 18 de Março: “Crispações, dificuldades de um Putin enfraquecido”. Presidente de um país em que “o sistema actual é um terço de autoritarismo, um terço de democracia e um terço de anarquia”.

No “Le Monde” de 21 de Março diz-se “Jacques Chirac assegura a Vladimir Putin a confiança dos europeus em relação ao Kremlim. Aquando da “mini-cimeira” com os chefes de governo espanhol, alemão, o presidente russo escapou a toda a crítica pública da sua política do Cáucaso”.

Condoleezza Rice visita seis países asiáticos. “Depois da Europa, Rice tenta seduzir a Ásia”, lia-se no “Le Fígaro” de 16 de Março. A secretária de Estado da América começou pela Índia, fazendo escalas posteriores no Paquistão, Afeganistão, no Japão, na Coreia do Sul e na China.

No dia 20 podia ler-se no “Le Monde”: “Condoleezza Rice apela à China a abrir-se politicamente. Washington apoia a candidatura do Japão ao Conselho de Segurança da ONU, (…).

Na sua primeira viagem à Ásia, a Secretária de Estado deu o tom da política da nova administração Bush na região, face às ambições de uma China em plena expansão”. A 22 de Março podia ler-se no “El País”: “Condoleezza Rice acabou a sua viagem asiática com uma chamada de atenção directa às autoridades chinesas para que acolham a democratização do país.

Temos falado muito na necessidade da China pensar num sistema político mais aberto, que se equipare a uma abertura económica e permita a plena criatividade da sua gente”.

Nesse mesmo jornal se dizia: “No último dia da sua viagem pela Ásia, (…) Rice recordou de novo a necessidade que a Coreia do Norte regresse à mesa das negociações para pôr fim ao seu programa nuclear”.

Reforma da ONU. “Kofi Annan apresenta a sua reforma da ONU. O secretário-geral da ONU deverá anunciar hoje à Assembleia Geral, numa comunicação muito esperada, as suas recomendações sobre a reforma do sistema de segurança internacional e a realização dos seus objectivos para o desenvolvimento, bem como para a reforma das instituições da ONU”. (“La Croix” de 21 de Março)

No “Le Monde” do mesmo dia, podia ler-se: “Kofi Annan entende adaptar a ONU ao seu século. (…) Um Conselho de Segurança alargado, passando de 15 a 24 membros, uma reafirmação do papel incontornável das Nações Unidas na autorização do uso da força, uma definição universal do terrorismo e uma vasta reestruturação interna:

estes são os principais pontos de uma reforma ambiciosa da ONU que o secretário-geral Kofi Annan propõe num relatório de 62 páginas, apresentado esta manhã à Assembleia Geral da organização e tornado público desde ontem.

Os 191 países-membros vão debatê-lo até à cimeira dos chefes de Estado, prevista para Setembro, em Nova Iorque.

Duma óptima exposição apresentada no “El País” de 22 de Março destacamos: “A ONU trata de recuperar o prestígio com a maior reforma desde a sua criação. (…) Kofi Annan apresentou ontem um conjunto de propostas para revitalizar o organismo, coincidindo com o 60.º aniversário da carta fundamental.

Annan faz um chamamento ao “multilateralismo efectivo” e à “segurança colectiva” para poder lutar contra as ameaças actuais – guerras, terrorismo, armas de destruição massiva e crime organizado – e recupera a confiança para a instituição danificada pela divisão que suscitou a intervenção militar no Iraque, há dois anos, e diversos escândalos”.




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