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O que festejamos quando celebramos a Páscoa?

É natural que, por vezes, alguns desconfiem de tanta gratuitidade, de tanta generosidade… mas Deus é assim, só sabe amar

N/D
28 Mar 2005

Etimologicamente, Páscoa deriva do hebreu (Pesakh), que significa passagem. É a festa anual dos judeus, em memória da sua saída do Egipto, da sua caminhada como resposta à promessa de libertação.
É também a festa anual dos cristãos para comemorar a ressurreição de Jesus Cristo.

“Pare, escute e olhe!”.

Este slogan, por todos bem conhecido, pode também ganhar amplo sentido se aplicado àquilo que festejamos. É que parar, escutar e procurar ver é uma exigência que se nos impõe, isto é, uma auto-obrigação e não uma imposição exterior ou hetero-obrigação.

Faz, portanto, sentido perguntarmo-nos: o que festejamos quando celebramos a Páscoa?

Para os cristãos, a resposta está na essência da festa, que é a ressurreição de Jesus Cristo.

Festejar seja o que for sem conhecer e viver o que se festeja, é responder automaticamente (de forma irracional) aos acontecimentos, seduzidos por um qualquer impulso de “espírito de rebanho”.

Ora, o ser humano é capaz de se erguer para lá desse conformismo medíocre que o aprisiona e o mantém escravo da sua própria vontade de não ter vontade de pensar.

De parar para escutar e ver, ou seja, de questionar a razão das coisas a fim de se tornarem vivências com sentido e não meros rituais ocos e desprovidos de significação.

A ressurreição de Jesus Cristo tem de ser interiorizada e vivida.

Se Cristo não ressuscitou, diz S. Paulo, é vã a nossa fé.

Ou seja, se Cristo ressuscitou, então Deus existe, a eternidade existe e a vida de todo o ser humano não pode ser mais uma vida meramente horizontal, balizada nas coordenadas das leis físicas, mas tem de ser essencialmente vertical, isto é,
orientada segundo os critérios de Deus, que dão sentido aos critérios humanos.

É porque Cristo ressuscitou que festejamos. Disse Jesus a Tomé:

«Chega aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Estende a tua mão e mete-a no Meu lado. Não sejas incrédulo, mas crente». (Jo 20, 27).

Todo o ser humano é chamado a esta compreensão, acreditando. Se não acreditamos, como poderemos entender? Festejamos, na Páscoa, o apogeu do AMOR infinito de Deus.

Deus que vem ter connosco, nos chama filhos, aceita dar-Se totalmente, a todos perdoa antecipadamente e entrega a cada um a chave magnífica da verdadeira felicidade:

AMAI… Agora a lei é o amor, o nosso peso é o amor. É natural que, por vezes, alguns desconfiem de tanta gratuitidade, de tanta generosidade… mas Deus é assim, só sabe amar.

Festejar a Páscoa é festejar a vida! E só a festejamos se não reduzirmos Jesus Cristo à Sexta-Feira Santa, ao túmulo, como se apenas de uma ilustre figura história se tratasse e nada mais.

Festejar a Páscoa é também festejar a nossa transformação, que se efectiva se nos propusermos afinar os nossos esquemas de pensamento e acção aos critérios de Jesus Cristo ressuscitado.

Se assim for, há razão para celebrar no dia de Páscoa… e todos os dias.




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