Fotografia:
Tríduo Pascal

Toda a Igreja Católica chama a esta semana, que começou no passado domingo – Domingo de Ramos – e que culmina hoje com a Solene Vigília Pascal de Sábado Santo, a Semana Santa, porque durante ela se celebram com grande solenidade os sofrimentos que Jesus suportou, para nossa redenção.

N/D
26 Mar 2005

No Domingo de Ramos a Igreja invoca a entrada solene de Jesus em Jerusalém. Nesse dia o Senhor foi recebido triunfalmente com cânticos de alegria e ramos de palmeira que atapetavam o chão que o burriquito que Jesus montava ia pisando.
Quem diria que depois de uma tão grandiosa apoteose dispensada a Jesus no Domingo de Ramos, a ponto de alguns fariseus dizerem a Jesus: “Mestre, repreende os teus discípulos”, tendo Jesus respondido: «Eu vos digo: Se eles se calarem, gritarão as pedras» (cfr. Lc 19, 39-40), passados cinco dias os mesmos O acusariam e condenavam à morte mais infamante daquela época – a Crucificação.

Na Quinta-feira Santa Jesus ao celebrar a Última Ceia com os seus discípulos instituiu nela a Eucaristia e o Sacerdócio ministerial.

A Ceia era uma festa judaica que recordava a êxodo dos judeus para o deserto. É por isso que a partir desse dia não se comia senão pão ázimo (sem fermento), uma vez que no tempo de Moisés, quando se deu a fuga do povo, nem houve tempo para deixar o pão fermentar.

O Senhor, como judeu fiel à Lei, quer reunir-se para comer a Ceia, que procurou fosse preparada com todo o rigor e esplendor. Esse pormenor deve levar-nos a dedicar o que melhor houver ao culto de Deus, tal como nas festas familiares se prima para que tudo seja do melhor, e muito bem – a Família , não só merece, como precisa dessas manifestações externas de deferência de uns para com os outros.

Foram Pedro e João os encarregados de fazer todos os preparativos e surge então o primeiro problema: onde fazer a Ceia, diziam eles «celebrar a Páscoa», uma vez que a Lei mandava que o fosse na Cidade Santa? Além disso tinham de comprar um cordeiro e mandá-lo imolar no Templo, ao pôr do sol.

O Senhor, a quem foi posta a questão responde-lhes: «(…) Ide à cidade, a casa de um tal e dizei-lhe: “O Mestre manda dizer: o Meu tempo está próximo: quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos em tua casa”. Fizeram os discípulos como o Senhor lhes ordenara e prepararam a Páscoa» (Mt 26, 18-19)».

Estamos em Quinta-feira Santa. Jesus sabia que a Sua morte estava próxima e quis deixar um exemplo de humildade e serviço aos seus discípulos – foi a cerimónia do lava-pés.

No tempo de Jesus lavar os pés aos hóspedes era um costume e a sua execução era reservada aos criados. A lição do Senhor mais do que de humildade e serviço foi de amor – «humilhou-se e tomou a forma de servo» (Fil 2, 7).

Seguiu-se, posteriormente a instituição da Eucaristia – Jesus ia partir, mas queria deixar uma recordação, tal como acontece entre os que se amam e cuja vida pode separar por uma temporada – deixam, por exemplo, um retrato.

Mas Jesus deixou mais que um retrato – ficou Ele mesmo, sob as espécies de pão e de vinho. Deu-se a Transubstanciação: os acidentes ficaram, mas a substância do pão e do vinho foram mudadas no Corpo e Sangue de Jesus.

E finda a Ceia partiram para o Jardim das Oliveiras, onde Jesus costumava ir muitas vezes orar, o que justifica que Judas, que se ausentou antes da Ceia terminar, imaginasse onde encontrar o Senhor e aí levar os soldados para o prenderem.

Jesus recolhe-se em oração e sente sobre Si o peso de todos os pecados da Humanidade – os passados, os presentes e os futuros, o que significa que também cada um de nós contribuiu para a Agonia de Jesus, e segundo Pascal, as coisas não ficam por aqui, pois ele afirma que «Jesus está em agonia até ao fim dos tempos».

Segue-se a prisão de Jesus, a flagelação, a coroação de espinhos, as injúrias, as blasfémias, as troças. E o pior de tudo foi que entre os algozes se encontravam muitos que tinham sido objecto da bondade de Jesus, mas por cobardia, respeitos humanos ou aliciados com dinheiro, passaram-se para os inimigos, o primeiro dos quais foi Judas, um dos Apóstolos.

Tudo se passa na noite de Quinta-feira para Sexta-feira. Ao amanhecer começa o julgamento, para dar aparência de legalidade, pois que contrariamente ao que acontece, a sentença foi dada antes do julgamento, pois todos estavam já decididos a dar a morte ao Senhor e o Senhor parte para o Calvário com a Cruz às costas.

É o que nós recordamos na Via Sacra. O Senhor está extenuado e cai por três vezes, apesar de os algozes terem obrigado um camponês – Simão de Cirene – a ajudar Jesus, não por compaixão, mas para que o «réu» não morresse antes de ser crucificado; a sua atitude foi de refinada maldade e sadismo.

O encontro de Jesus com Sua Mãe, a Virgem Maria foi simultaneamente um motivo de dor e de lenitivo – dor, por se mostrar, feito uma chaga dos pés à cabeça, lenitivo, porque na dor a presença da Mãe é sempre um alívio.

E o Senhor foi crucificado e após três horas de dolorosa agonia, morre, mas porque quer, como se depreende das últimas palavras que profere: «Pai, em Tuas mãos encomendo o Meu espírito» (Lc 23, 46).

E se pobre nasceu, sem ter uma casa onde se abrigar, tendo Maria e José de recorrer a uma gruta, também depois de morrer teve de ser sepultado num sepulcro de um amigo, José de Arimateia.

Mas aí ficou somente o tempo necessário para se cumprir a Escritura: «(…) e ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar» (Mt 16, 21).

Passado o Sábado, o grande dia de descanso dos judeus que eles respeitavam escrupulosamente, o Domingo despontou e com ele a saída de Jesus do túmulo – era a anunciada Ressurreição, que celebraremos amanhã – era o culminar da nossa redenção.

Morreu para nos salvar do pecado, pois só a morte de um Homem verdadeiro que é ao mesmo tempo Deus verdadeiro, podia satisfazer a justiça divina. Mas morte não podia triunfar e com São Paulo podemos dizer com santo orgulho: «(…) Onde está, ó Morte, a tua vitória? Onde está, ó Morte, o teu aguilhão?» (1 Cor 15, 54-55).




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