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Nótulas soltas da minha agenda

1Decidi que na Semana Santa as minhas leituras fossem três pequenos livros. Um já lido e relido várias vezes. Refiro-me à Carta Apostólica “Fica connosco, Senhor”. E deu-me que pensar a Luz sem ocaso, que nunca se apaga, apesar de tantas vezes a querer ocultar.

N/D
26 Mar 2005

Mas Ele está lá. Está cá. É eterna a Sua fonte. A Eucaristia é mistério de Luz. É Luz. Só por si ilumina. Luz de onde promana a comunhão – e como tantas vezes somos factores de “excomunhão” mútua! Luz que envia. Envia para o anúncio. Também para a denúncia. Luz que é fonte de vida.
A Sua presença basta!

…E pensei como nos Lausperenes da cidade de Braga tantas flores “afogam” e dispersam… A sobriedade não daria mais lugar e importância à Eucaristia? Mane nobiscum Domine!

2. Conhecia mal o Padre Foucauld. Por isso agradou-me a ideia de comprar “Gritar o Evangelho”, da Editorial Franciscana.

Carlos de Foucauld, neste livro, bem próprio para leitura na Quaresma, ajuda-nos a conhecer o diá-logo dos simples com o Senhor, na companhia de Sua Mãe e de Madalena, a quem o Visconde de Foucauld, eremita do Saara onde foi assassinado pelos tuaregues, chama sua mãe.

Um livro simples para corações simples que buscam na simplicidade a verdade. “Gritar o Evangelho” mostra-nos como é rezar na humildade. No final da sua leitura fica-me a pergunta: “Por que queremos sempre formas e fórmulas complicadas e rebuscadas?”

3. Finalmente, do Cardeal Martini, li “Nossa Senhora do Sábado Santo”, um livrinho de
40 páginas, escrito para o Jubileu do ano 2000. Liturgicamente, o Sábado Santo é um “tempo de silêncio”. E sempre, ou melhor quase sempre, passa-nos ao lado.

Transcrevo uma curta passagem na qual o Cardeal Martini, com Maria, a Mãe de Jesus, nos convida a dar sentido ao Sábado Santo: «Tento introduzir-me nesta casa onde a Mãe de Jesus vive o seu “Sábado Santo” e, com a autorização de João, entabular um diálogo com ela.

Um diálogo feito, acima de tudo, de contemplação da sua forma de viver este momento dramático.

Contemplo Maria: manteve-se em silêncio ao pé da cruz, na dor imensa da morte do Filho, e em silêncio se mantém enquanto espera, sem perder a fé no Deus da vida, enquanto o corpo do Crucificado jaz no sepulcro.

Neste tempo que decorre entre a escuridão mais densa – “houve trevas por toda a terra” (Mc 15, 33) – e a aurora do dia de Páscoa – “de madrugada, no primeiro dia da semana… ao nascer do sol” (Mc 16, 2) – Maria revive as grandes coordenadas da sua vida, coordenadas que resplandecem desde a cena da Anunciação e que caracterizam a sua peregrinação na fé.

É precisamente assim que ela fala ao nosso coração, a nós, peregrinos do “Sábado Santo” da história».




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