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Estrada: vida, castigo ou morte?

Em finais de Setembro de 2003, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) tornou pública uma Carta pastoral, intitulada “Responsabilidade solidária pelo bem comum”, onde entre outros – sete no total – pecados sociais se apresentava a necessidade de respeitar as regras do Código da Estrada

N/D
26 Mar 2005

Entra em vigor, hoje, o novo Código da Estrada, que atinge cerca de seis milhões de cidadãos portugueses encartados.
Dos cento e noventa e nove artigos há algumas modificações, abrangendo os seguintes vectores (apontamos o número dos artigos a que se referem):

limites de velocidade (n.º 24ss) com coimas agravadas, proibições de paragem e estacionamento (n.º 29ss), exigências no transporte de crianças em automóvel (n.º 55), condução sob a influência de álcool ou de substâncias psicotrópicas (n.º 81), utilização de auscultadores e aparelhos radiofónicos (n.º 84), comportamento em caso de avaria ou acidente e o uso do colete reflector (n.º 88), contra-ordenações graves (v.g., excesso de álcool ou desrespeito pelos peões nas passadeiras – n.º 145) ou muito graves (v.g., paragem nas faixas de rodagem das auto-estradas, entrada ou saída das auto-estradas por locais diferentes dos acessos – n.º 146), pagamento de coimas no local da infracção (n.172-173)…

Nestas cerca de duas dezenas de regras, que são (agora) introduzidas como modificação, nota-se a tentativa de agravar as multas, tentando pela condicionante económica fiscalizar, regular e (pasme-se a inocência do legislador!) educar a conduta cívica dos condutores…

Como se poderá fazer respeitar a vida – pessoal ou dos outros – com castigos, multas ou sanções… só quando a fiscalização está (mais ou menos) presente?

Em finais de Setembro de 2003, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) tornou pública uma Carta pastoral, intitulada “Responsabilidade solidária pelo bem comum”, onde entre outros – sete no total – pecados sociais se apresentava a necessidade de respeitar as regras do Código da Estrada.

Aí se falava da «irresponsabilidade na estrada, com as consequências dramáticas de mortes e feridos, que são atentados ao direito à vida, à integridade física e psicológica, ao bem-estar dos cidadãos e à solidariedade».

Diz o documento da CEP: «No nosso país, o elevado e cada vez maior índice de sinistralidade rodoviária coloca questões éticas na perspectiva do direito à vida, à integridade física e psicológica, à harmonia e bem-estar dos cidadãos, à solidariedade…

Sem formação técnica e humana, sem consciência cívica, sem responsabilidade solidária e respeito pelos outros, em suma, sem uma mudança de mentalidades, não há leis nem mecanismos possíveis que possam alterar o actual estado da situação…

Porém, a medida principal está na educação para a consciência cívica colectiva, na formação para a responsabilidade de todos (autoridades públicas, comunicação social, estabelecimentos de ensino), procurando-se criar uma atitude colectiva de cidadania contra o estado eticamente inaceitável do comportamento de grande parte dos condutores em Portugal e contribuindo, assim, para a sua responsabilização…

Em termos evangélicos, podemos dizer que uma boa condução, além de realização de um projecto pessoal, é uma ocasião para despertar e amar os outros utentes da estrada, considerados irmãos e irmãs» (n.º 21).

Talvez se tenha reflectido sobre o assunto, mas – apesar da razoável participação dos católicos na missa dominical (um terço da população, isto é, mais ou menos dois milhões e meio de fiéis) – não se notou grande diferença nos comportamentos!

Sem qualquer indiscrição: terá havido quem se tenha acusado (mais) deste “novo” pecado nas confissões da Quaresma? Até onde vai a pregação e catequização dos nossos católicos (ao menos) praticantes? Serei, de forma especial, dos que cumprem – o melhor possível – o código da estrada sem precisar de polícia à vista?

O novo Código da Estrada está em vigor. Vamos evangelizar – em atitude de nova evangelização – pela forma de cumprirmos este modo de Deus nos conduzir no trato com os outros, sejam peões, condutores ou mesmo passageiros.




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