Fotografia:
Trajar ou não trajar à Vianesa

No coração da cidade de Viana e durante todo o ano podemos ver mulheres envergando o traje da região. Nem todas pertencem a grupos folclóricos, nem todas entendem a importância do traje que vestem, mas quase todas sentem a vontade de (nem que seja uma vez na vida) trajar à Vianesa.

N/D
25 Mar 2005

Podemos assim concluir que este trajar “não morrerá”, porque as raparigas da maioria dos grupos etnográficos não o permitirão, mas também porque as Vianesas sabem o encanto que significa envergar tão digna indumentária. Mas será que “não se deturpará”?
Seria interessante perceber o que leva todas estas mulheres a vestir assim, mas seria inteligente cuidar que o traje que envergam, património artístico e cultural da região, não seja adulterado.

Infelizmente, e como se pode ver pela fotografia tirada recentemente na cidade de Viana, durante um Feirão na Praça da República, algumas não entendem a vergonha que trazem às mulheres que foram recriando os diversos trajes (desde a primeira manipulação dos materiais até ao último bordado, ou à última renda) por os envergarem sem orgulho, sem elegância, sem brio e sem conhecimento. Porque nos legaram um trajo lindíssimo que devemos saber usar e divulgar, seria importante conhecê-lo antes de nos apresentarmos com ele.

Se mais não fizerem, por favor, sigam as seguintes regras: não usar maquilhagem, não usar relógios modernos ou fitinhas nos pulsos nem nos tornozelos, não colocar telemóveis bem visíveis nas algibeiras, não pintar as unhas, não mastigar pastilha elástica enquanto trajadas, não colocar piercings na cara ou colares modernos ao pescoço, não usar chinelos de quarto ou outro calçado moderno, não usar socos em fatos de meia com pé, não vestir meias ou peúgas mais curtas que as saias, não colocar a algibeira por cima do avental, não dispor o ouro por baixo da cintura, não usar saiotes mais compridos que as saias, não cobrir completamente o cabelo com o lenço, não o deixar solto, não usar mais que um par de brincos, não trazer anéis muito modernos, usar lenço da cabeça e do peito com franja nos fatos que assim estão documentados, entre outras.

Existem inúmeras formas das Vianesas se informarem sobre a riqueza que têm em casa. Vários livros da especialidade que podem encontrar na Biblioteca Municipal, uma visita ao Museu do Traje, a participação na Festa do Traje durante a Romaria da Sra. d’Agonia, um encontro com os jovens que cada vez mais constituem os vários grupos folclóricos da região, são sugestões que gostaria de deixar ficar.
O traje à Vianesa merece.




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