Fotografia:
Para uma existência doadamente… sacerdotal

Tomai e comei’…’Tomai e bebei’…». A auto-doação de Cristo, que tem a sua fonte na vida trinitária do Deus-Amor, atinge a sua expressão mais alta no sacrifício da Cruz, cuja antecipação sacramental é a Última Ceia. Não é possível repetir as palavras da consagração sem sentir-se implicado neste movimento espiritual.

N/D
24 Mar 2005

Em certo sentido, o sacerdote deve aprender a dizer, com verdade e generosidade, também de si próprio: «tomai e comei». De facto, a sua vida tem sentido, se ele souber fazer-se dom, colocando-se à disposição da comunidade e ao serviço de qualquer pessoa que passe necessidade. Era isto precisamente que Jesus esperava dos seus apóstolos, como sublinha o evangelista João ao narrar o lava-pés.
O mesmo espera do sacerdote o Povo de Deus. Pensando bem, a obediência, a que ele se comprometeu no dia da Ordenação e cuja promessa é convidado a renovar na Missa Crismal, é ilustrada por esta relação com a Eucaristia. Obedecendo por amor, renunciando mesmo a legítimos espaços de liberdade quando se trata de aderir a um autorizado discernimento dos Bispos, o sacerdote realiza na própria carne aquele «tomai e comei» de Cristo, quando, na Última Ceia, Se entregou a Si próprio à Igreja».

Estas palavras com que o Santo Padre se dirige, na sua habitual mensagem aos sacerdotes na Quinta-feira santa deste ano (n.º 3), como que podem permitir-nos – como sacerdotes em comunhão de mistério teológico e ministério eclesiológico com o todo o povo sacerdotal – refontalizar a nossa essência, que provoca uma reflexão sobre a nossa existência pastoral.

Na linha do que temos ouvido, lido e aprofundado através do Padre Raniero Cantalamessa – pregador da casa pontifícia desde o início da década de oitenta e certamente ‘autor’ desta carta papal – este excerto da mensagem de João Paulo II como que nos faz debicar breves referências a esta dimensão de existência doada do sacerdote ministerial:

* Leitura cristológica – ‘Tomai e comei’…’Tomai e bebei’ são palavras rezadas por Jesus na última Ceia e que, em primeiro lugar, se referem à sua própria entrega. O sacerdote empresta a sua boca a Jesus para que estas palavras sejam rezadas n’Ele e por ele como cabeça em Cristo sumo e eterno sacerdote.

* Leitura oblativa pessoal – ‘Tomai e comei’…’Tomai e bebei’ ganham novo significado ao serem proferidas pelo sacerdote (mesmo que em concelebração) pois tornam o ‘corpo entregue’ e ‘sangue derramado’ como a sua própria vivência, agora hetero-doação em alimento pelos seus irmãos.

* Leitura eclesiológica – ‘Tomai e comei’…’Tomai e bebei’ tornam-se também palavras de todos quantos participam na eucaristia. Os fiéis escutam e aceitam o desafio a viver aquela entrega como alimento em favor de quantos precisam: são chamados a ser comidos e bebidos, isto é, a tornarem-nos alimento de quantos precisarem, sejam ou não crentes!

Será assim que vivemos a eucaristia, hoje?

Nota – Para melhor entendermos a proposta/leitura teológica deste tema será de bom proveito ler e meditar o livro de Raniero Cantalamessa, ‘A eucaristia nossa santificação’ editado já em 2005 pela Paulus Editora.




Notícias relacionadas


Scroll Up