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O «ceguinho»

Quem estiver atento ao desenrolar da vida nacional notará que, na ordem política, há duas tendências de análise.

N/D
24 Mar 2005

A primeira concretiza-se em colocar «mitos» de pés de barro, em plintos sobranceiros; a segunda processa-se em criar «ceguinhos» que, por mais que façam e realizem, todos olham com desdém.
Para tanto, basta cair ou não no goto das pessoas.

No primeiro caso, o «mito» pode fazer as asneiras que entender, que tudo se esquece e perdoa; no segundo, ao «ceguinho» nada se perdoa e, faça o que fizer, leva sempre porrada.

Contudo, – registe-se – o povo não gosta que se bata no ceguinho e, mais cedo ou mais tarde, procura ajustar contas.

A vida política nacional está cheia destes casos.

Para ilustrar a afirmação, socorro-me apenas de dois exemplos, que são casos bem expressivos do que afirmo.

Na questão dos «mitos», temos o conhecido desvio do avião para as ilhas Seischelles; para a situação do «ceguinho», o «mergulho» do ministro, na visita a S. Tomé e Príncipe, é um bom exemplo.

No primeiro caso, tudo se silenciou e, certamente, se aplaudiu; no segundo, tudo foi apontado e severamente criticado.

Medida de funil!…

A razão desta dualidade de procedimento, baseia-se precisamente na dicotomia política: – «mito» – «ceguinho».

– Recentemente, tivemos a oportunidade de assistir, à criação de mais um «ceguinho».

O pobre do homem podia fazer o que fizesse, que tudo era considerado mal.

Se abria a boca, falava de mais; se a fechava, falava de menos.

Se aumentava as pensões, desbaratava o erário nacional; se não aumentava, não cuidava dos assuntos sociais.

Se tributava bancos e capitalistas, afugentava o tesouro; se não tributava, contribuía para a desigualdade dos cidadãos.

Foi tantas vezes açoitado e flechado que, na esfera política, já lhe chamavam «o mártir S. Sebastião».

As facadas, que chegavam de todos os lados, eram tantas, que chegou a afirmar não ter lugar nas costas para mais cutiladas.

Como cristão, apetecia-me parafrasear um conhecido humorista e, com ele, exclamar: – «Não havia necessidade!…»

O que, em outros quadrantes, eram situações normais, com o «ceguinho» eram aborrecidas «trapalhadas».

Preso por ter cão e preso por o não ter, foi julgado e punido pelo que fez, pelo que não fez e, até, por tudo aquilo que o não deixaram fazer.

Pessoalmente, sou solidário com todos os «ceguinhos» deste país e tenho uma certa alergia, à mitologia lusitana de qualquer partido.

Analisadas todas estas situações, somos forçados a concluir:

– É muito difícil ser Prior, numa freguesia destas!…




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