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823. Meu caro Zé:

Diz a sabedoria popular, meu velho, que o camaleão muda de cor para se disfarçar, confundir com as ervas do ambiente e, assim, escapar à perseguição que lhe movam.

N/D
23 Mar 2005

1 Hoje vamos consultar o dicionário. Camaleão ( do lat. chamaeleon) – Lagarto africano, da ordem dos sáurios, coberto de uma espécie de lixa, cujas rugosidades mudam de cor; nome comum a vários répteis da subordem dos sáurios da Europa meridional, incluindo o Algarve, e de certas regiões africanas e asiáticas, capazes de mudar de cor conforme o ambiente e dotado de língua que se pode alongar e projectar. Pessoa volúvel que muda de opinião conforme os seus interesses. (Dicionário Complementar de Língua Portuguesa, 1954, Editora Educação Nacional e Dicionário de Língua Portuguesa Contemporâneo, 2001, Academia de Ciências de Lisboa.)

Diz a sabedoria popular, meu velho, que o camaleão muda de cor para se disfarçar, confundir com as ervas do ambiente e, assim, escapar à perseguição que lhe movam.

Ora, aplicada tal teoria ao género humano, os camaleões são os troca-tintas, os vira-casacas que ninguém gosta de ver por perto e, muito menos, ter na sua roda de amigos. Eles mudam de cor, de opinião não para se protegerem, como os reais camaleões, mas para satisfazerem os seus intentos e interesses! As suas ambições!

Com eles não se pode contar para nada. E, em qualquer lado que se encontrem, com eles estão o oportunismo e o embuste!

Agora, transposta tal sabedoria popular para a vida política nacional, o camaleão é aquele que muda de facção, grupo ou partido. Que muda de ideologia. É o verdadeiro vira-casacas, o troca-tintas que, em linguagem vulgar, sempre esteve no lugar das coisas abjectas e desprezíveis.

Até se dizia, após o 25 de Abril, que o pronto-vestir-pronto-a-despir político nunca teve tanta clientela, ávida de mudar de matéria-prima e padrão! E, mormente, de cor, passando do cinzento da ditadura ao furtacores da revolução!

2. Ora, caro Zé, olhando aos tempos actuais e à democracia já com barbas e cabelos grisalhos, o fenómeno camaleónico continua por aí. E com que força e tonalidade! Do rosa ao laranja, do vermelho ao verde, do verde ao amarelo!

O caso mais recente desta metamorfose é Freitas do Amaral que dá uma cambalhota de 180 graus, pelo menos, passando de democrata-cristão a socialista! Mas, que não fica atrás de outros fenómenos como: Zita Seabra, Acácio Barreiros, Durão Barroso, Pacheco Pereira, Helena Roseta, etc. etc. etc. também eles mudando de cambiantes, de cores políticas!

Dizia Mário Soares que só os burros é que não mudam! Aqui, todos eles foram seus alunos exemplares! Só que Mário Soares não quer que os burros mudem tanto. Ele próprio nunca deixou de ser socialista, mesmo metendo o socialismo na gaveta!

O que ele, talvez, queria dizer é que nunca deve mudar a instância, mas, somente, a circunstância. O que o burro pode é ir, de vez em quando, comendo algum pão-de-ló, em vez de palha e falar uma ou outra língua, em vez de, simplesmente, zurrar!

Porque burro é sempre burro! E mudar-lhe tal condição não está em nenhum manual de etiqueta!

Mas, afinal, meu velho, por que mudam assim as pessoas? Por que há tanto camaleão na vida política nacional? Será que as ideologias estão em decadência ou os homens já não são o que eram? Venham os sociólogos e digam de sua justiça!

Entretanto, caro Zé, lá continuamos nós entregues à bicharada!

Venham daí esses ossos e até de hoje a oito!




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