Fotografia:
O País e formação que não temos…

Quando vemos um Presidente da República muito preocupado com o insucesso escolar, será de perguntar qual o estímulo que tem dado às escolas e aos professores, e que tipo de escola se tem proporcionado aos alunos?

N/D
22 Mar 2005

Portugal, neste novo Governo encontra-se perante enormes desafios: sociais, económicos, intelectuais e políticos.
Com ministros de diversos quadrantes, alguns trocando a nuvem por Janus, falta saber se foram escolhidos por interesses do bem comum ou por ambições de poder, o qual se sabe encobrir em diversos parâmetros e cores, mesmo sacrificando a Alma ao diabo.

Seja como for aparece como um Governo de consenso apostado mais nas circunstâncias conjunturais do que na ideologia…

Será que assim o entendeu José Socrates? Ou pretende-se provocar um reacção para, mais tarde, impor um gabinetesombra de um partido de senadores, que sempre tentaram nos bastidores criar a confusão?

Mais que avaliar ou julgar as opções, interessa medir os efeitos como resolver e pôr de imediato as pedras do xadrez que poderão levar o País para melhores rumos e permitir a superação da crise que se instalou em quase todos os domínios.

Em primeiro lugar, é preciso ordem e disciplina com objectivos bem definidos. Trata-se de vencer uma aposta das mais ingentes, recuperando a confiança dos cidadãos nas instituições, nos valores da sua capacidade e da sua tradição, deixando mitos de pernas de cera e tendo a nostalgia do futuro.

Se é verdade que as escolas não podem substituir os pais na educação e elevação cultural dos filhos, como subsidiárias e complementares, devem ser oásis de trabalho, estudo, reflexão e pesquisa, deixando de ser lugares de diversão, ou tubos de ensaio e experimentação de técnicas pedagógicas de aviário, há muito abandonadas nas escolas do centro da Europa, para serem espaços de concorrência, esforço, inovação e ambição.

O ensino secundário deveria ser variado, permitindo a concorrência no sector público e privado nas mesmas circunstâncias.

Todos os Professores deveriam ser postos à prova, reciclados e avaliados, através dos resultados dos seus alunos, como as escolas deveriam ser aferidas por um ranking a estabelecer, de modo a criar categorias e mesmo concorrência entre elas, mas diversificadas nos seus ambitos e areas, aproveitando as possibilidades de professores diferentes, habilitando mesmo profissionalmente.

Para isso deveriam existir áreas variadas ao gosto não tanto das opções de Pais e alunos, mas conforme as necessidades, autonomias e características especiais de cada zona ou agrupamento escolar, com diversificação e variedade dos cursos, permitindo mais tarde a reinsercao e aproveitamento de potencialidades regionais, locais ou sinergéticas, levando a inovação, reconversão ou aposta em novos produtos e diversificação dos existentes.

Quem percorre o País, nota de imediato esta disfunção entre o real e o imaginário, entre o gosto e a forma, como o processo de rentabilizar recursos:

uns subaproveitados, outros desenvolvidos, mas desintegrados, situando-se quase sempre o progresso na orla marítima, enquanto aparecem regiões do interior completamente abandonadas com gostos abastardados e de arquitectura estranhos ou estandardizados, que em nada nos abonam nem no turismo nem na qualidade de vida.
Concomitante a este esforço, seria necessário preparar os agentes de transformação ou de administração das autarquias, de modo a instruí-los nos objectivos a perseguir, dentro de um política coordenada de aproveitamento e de rentabilização de recursos humanos ou de sinergias complementares.

Um povo que aspira apenas a dependurar-se na função pública, candidato a um emprego, mas nem sempre ao trabalho, será sempre factor de crise e de pouco desenvolvimento.

Mas não é isto que temos visto entre nós?Por outro lado, uma universidade, que oferece cursos para criar candidatos ao desemprego e apenas empregar Professores, deve ser irradiada, sob pena de criar ainda mais frustrações e quimeras…

Quando vemos um Presidente da República muito preocupado com o insucesso escolar, será de perguntar qual o estímulo que tem dado às escolas e aos professores, e que tipo de escola se tem propor-cionado aos alunos?

Para obviar a pobreza, nao há outro meio senão munir os alunos com um mínimo profissional indispensavel para trabalharem no futuro. Não importam apenas os cursos clássicos universitários, mas hoje são talvez mais importantes os profissionais. Mas quais?

Um país quer se limita a ter trolhas, sem preparação profissional para vender ou exportar no mercado internacional, não tem futuro. Todos devem estar preparados, mesmo a empregada de limpeza ou o simples cabeleireiro, tal como o electricista, canalizador ou simples carpinteiro ou trolha etc. todos devem ter um profissão, com conhecimentos básicos, teóricos e práticos, para que se possam defender no futuro.

Isto mexe com todos os critérios de implantação, instrução e formação nas escolas. Estas, aliás, deveriam ser criadas em critérios de regionalização ou de agrupamento. Neste aspecto parece estarmos atrás de vários países de leste, hoje os grandes rivais de Países pequenos e mal organizados.

Estamos na altura de pagar o preço de uma improvisação atávica em que sempre vivemos, adiando as grandes questões e sem objectivos bem determinados. Será que o novo governo vai apostar na resolução de algumas destas lacunas?

Ou pretendemos viver sempre de tácticas de avestruz? E que diriamos das grandes apostas para cursos de gestão, administração, pesquisa e alta tecnologia?…




Notícias relacionadas


Scroll Up