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Gostos e gostos

Gostos não se discutem!… diz o povo. Cada um tem os seus e com eles se vai governando.

N/D
22 Mar 2005

Daí, não se estranhar a diferença da apreciação das coisas, entre várias pessoas, sobretudo, entre gerações diferenciadas no tempo.
Há quem goste do bom e quem goste do reles.

Diz-se, na gíria política, que o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira.
Pois, nos gostos, parece haver a mesma situação. O que ontem foi detestado é hoje apreciado e o que ontem nos seduziu é hoje repelido.

Antigamente, a ideia que vigorava, quando se começava a seaar gente, era mudar o mundo; agora, o desejo que os jovens trazem é acabar com ele. Como não podem, passam a vida a dar pontapés no que ele tem de melhor.

Outrora, toda a gente gostava de vestir bem e detestava-se o farrapo e o remendo; agora, valem mais umas calças rotas e remendadas do que confeccionadas de bom tecido.

Em tempos passados, era elegante abotoar a camisa e apresentar uma vistosa gravata; agora, os gostos mudaram e ao mundo dos engravatados sucedeu o mundo dos desapertados.

Então, dava prestígio pessoal o sapato polido e a vinca na calça; agora, está na moda «ténis à maneira» e calça enrugada.

Se da moda passarmos a outras facetas da vida, com as devidas excepções, notaremos igualmente diferença de apreciação e de conduta.

Na antiga escola, o aluno tinha gosto pela classificação e obedecia ao professor; agora, muitos alunos parecem coleccionar «negas» e mandam mais que o professor.

Em termos económicos, no passado, era de bom tom só se ouvir falar em «superavit»; agora, a palavra «déficit» não fere os ouvidos do comum dos mortais, em todos os meandros da economia.

Ontem, quando havia dificuldades económicas, enfrentavam-se e não se olhava a sacrifícios ou a privações; presentemente, assumem-se calotes atrás de calotes e, quando não dá para mais, abre-se falência e não se paga a ninguém.

Ainda há pouco tempo, era moda faltar ao trabalho e ir para a rua fazer greve; agora, a greve perdeu interesse e a grande preocupação do trabalhador é ter onde trabalhar.

Antigamente, comia-se o pão com o suor do rosto, agora, enriquece-se sem esforço, através de economias paralelas e de negócios sujos.

Então, ganhava-se o «pilim», através do trabalho pessoal; agora, enriquece-se com o trabalho dos outros, através de comissões, de procuradorias e de outras diversas maneiras de viver sem esforço. As excepções apenas confirmam a regra.

Na antiguidade, a família era um refúgio de acolhimento; agora, é uma pensão de porta aberta e um local de fuga.

Outrora, havia dia e noite; agora, trabalha-se de noite e de dia.

Então, havia o bem e o mal; agora, há quem veja bem no mal e mal no bem.
Antigamente, a democracia era o governo da «passarada»; agora, é o governo de «passarões».

Conclusão:

– Com gostos tão distintos, bem faz o povo em não os discutir.




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