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Dia litúrgico de S. José – Dia do Pai

Comemora-se hoje o dia litúrgico de S. José e também o Dia do Pai. Mais do que nunca, actualmente, para desempenhar uma função na sociedade se quer uma boa preparação. Ainda bem que assim é: sinal que desejamos, em todos os sectores perfeição e profissionalismo, em oposição à tão apregoada tendência dos portugueses para a improvisação.

N/D
19 Mar 2005

Ora o que acontece quanto à função de pai? Será que se preocupam com uma adequada preparação? Se o não fazem, é altura de começar, pois que educar uma criança é mais que gerir uma fábrica – se esta, mal gerida falir, perde-se dinheiro; se a educação de uma criança “falir”, perde-se um potencial de valores irrecuperáveis. Ensinam-se os pais a mudar as fraldas, a dar o biberão ou o banho, mas não se ensinam a educar….
A principal condição para que uma educação seja levada a bom termo, é que haja entendimento entre pai e filho desde muito cedo, para que na idade mais difícil que todo o jovem atravessa possa escolher o pai como confidente e amigo.

Uma atitude que um pai, que quer ser aceite, deve tomar é a coerência; muitos desentendimentos provêm da falta de franqueza, lealdade e sinceridade que o filho nota no pai. Se o pai é o primeiro a ensinar o filho a mentir, como pode exigir que o filho não lhe minta? Como pode o filho aceitar do pai a recomendação (não digo proibição) de não ver filmes pornográficos, se sabe que o pai o faz às escondidas?

O pai também deve de reivindicar para si o “instinto paternal”, senão a mãe faz do filho “propriedade” só sua, sob o pretexto que só ela sabe, só ela sente, só ela prevê, só ela tem intuição. Actualmente, com o estilo de vida da mãe, o pai tem necessidade de assumir encargos, coisa que antigamente era impensável: dar de comer, dar banho, deitar, mudar a fralda, etc.

Não deve o pai, perante as dificuldades que inevitavelmente encontra no trato com o filho, escudar-se em frases como: “ele tem um feitio insuportável”. Se o pai se examinar com lealdade reconhecerá que os defeitos do filho são a cópia dos seus próprios defeitos. A sua atitude deve ser de flexibilidade, o que não quer dizer que pactue com o erro – a flexibilidade é o oposto do rigor e não da permissividade; os pais muito rigorosos dificilmente compreenderão os filhos e não conseguem criar clima de diálogo.

O pai deve possuir um conjunto de objectivos educativos, claros e concretos, de modo a mostrar ao filho, em cada momento, o que é essencial e o que é acidental; o que é opinável e o que não admite discussão. Só assim o filho procurará o pai para confidente, em vez de o ir procurar fora em qualquer “amigalhaço”.

Se há pais que são permissivos, outros, bem intencionados, cultivam o perfeccionismo: a criança ou o jovem têm o direito de fazer coisas mal feitas sem que por isso sejam repreendidos e humilhados – com o tempo e um conselho sereno e amigo aprenderão.

Outra virtude é saber “abrir a mão” na altura própria, não no sentido de dar dinheiro, mas de aceitar que os filhos tenham amizades, sem deixar de exercer uma vigilância discreta que respeite a intimidade dos filhos. Por este caminho os pais não perderão a confiança dos filhos e não se arriscam a ser “caretas”, isto é, mal aceites. Há algo que os pais nunca devem perder de vista: uma confidência não se provoca – merece-se.

O Pai deve ser aquele que está sempre presente, embora apagado e discreto, sempre pronto a sacrificar os seus gostos quando o filho precisa do seu tempo para fazer confidências – seja o filho uma criança, um adolescente, um jovem ou até um homem feito.

Muitos que chegam a delinquentes e marginais, desabafam: realmente tive um pai, só que não soube ser PAI, pois nunca o encontrei disponível, nem presente quando precisei.

Ora S. José deve ser para os pais um modelo a imitar e um padroeiro a quem recorrer.

Ele soube, como ninguém, tratar com o Menino Jesus, que ele sabia ser o Filho de Deus, não deixando de exercer na Terra a sua autoridade paterna, mesmo sabendo que no Lar de Nazaré, ele era quem tinha menos privilégios. Exerceu a sua autoridade porque viu nela a Vontade de Deus, e essa autoridade, que para muitos pode ser uma atitude de soberba, em S. José foi a mais requintada prova de humildade.




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