Fotografia:
A saúde da água

A água é um bem insubstituível. Dito desta maneira, e perante a realidade da seca que nos assola, toma as cores fortes da realidade incontroversa. Mas há ainda quem a desperdice regando farto e forte os passeios e os jardins.

N/D
19 Mar 2005

Em tempos que já lá vão, embora não tão distantes assim, a Câmara Municipal de Braga tinha por bom hábito mandar publicar, nos jornais diários da cidade, o estado de saúde da água da rede pública. Não sabemos se é ou não por causa da falta dessa informação que leva muita gente a procurar abastecer-se noutras fontes, principalmente das águas de Fraião (por trás do Carrefour) ou das da Santa Marta.
São inúmeros os garrafões que se alinham ali dia-riamente, quer na fonte de Fraião, quer na fonte ou fontes de Santa Marta. Alertados para o facto fomos ver para não falar de papagaio. Havia “clientela” de todas as condições sociais de garrafões debaixo dos braços ou com eles pousados, em fila de espera para se abastecerem daquelas águas. Se as águas de Fraião são vigiadas, por isso têm uma informação sobre as suas condições de salubridade e composição, as da Santa Marta nada têm que indiquem a sua recomendação para beber.

Até, imaginem a que chegou isto, havia uma carrinha a encher seis garrafões de 19 litros, daqueles que dão de beber, por copos plásticos, nas salas de espera. E os ditos garrafões ainda tinham os rótulos de uma conhecida marca de águas que costuma abastecer estas salas de espera.

A contrafacção não é só nas roupas. Uma senhora e seu respectivo marido levaram cerca de vinte garrafões; traziam consigo um tubo de plástico que adaptavam ao bocal da bica para mais comodamente encherem a vintena dos seus garrafões de cinco litros. Mais outro automóvel que parava e mais garrafas e mais garrafões se alinhavam na fila que se ia estendendo e engrossando.

E trocavam-se pareceres sobre a água da rede pública bracarense: “que cheira muito a lixívia, que sabe a cloro, que é mais pesada(?), que não é tão boa para a saúde, que esta, a da Santa Marta, é menos ferrosa do que a do Carrefour”, etc. etc. Mas então vocês bebem dessa água sem saberem se ela é boa para a saúde, sem estar analisada, indagamos? “Já bebo dela há mais de dez anos e graças a Deus ainda me não fez mal”, acrescentou um dos da fila de espera. “Olhe aqueles, – e apontava para uma das mesas de pedra onde jogavam a sueca uns quatro homens e mais dois calistos que miravam os trunfos e as biscas alheias -, antes de começarem a jogatina, não passam sem beber aqui primeiro, faz parte do ritual”.

Perante esta derrota retiramo-nos na dúvida sobre a qualidade daquelas águas da Santa Marta que, pelo que se está a ver, começa a ser alternativa à água da rede pública da cidade e alternativa à de Fraião. Voz do povo nem sempre é voz de Deus, mas é preciso esclarecer a população para que não passe a sê-lo.

Julgo que a Câmara Municipal de Braga, para sossego de muitos, deveria retomar a informação nos dois jornais de Braga do estado de saúde da água da rede pública. Isto levaria muita gente a desistir de se abastecer do preciso líquido em locais sem informação para consumo público. Não pode haver boa saúde sem água saudável. Isto é um problema de saúde pública.




Notícias relacionadas


Scroll Up