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Nunca mais

Quem visitou a Galiza após o desastre do Prestige via por todo o lado cartazes com a frase “Nunca mais” e gritos de revolta pela poluição causada pelo naufrágio do petroleiro.

N/D
17 Mar 2005

O título que dou a este artigo pretende ser um grito de revolta e de alarme para que nunca mais aconteçam “desastres” (obviamente que não têm as dimensões da catástrofe do Prestige) ambientais em Palmeira ou em qualquer outra freguesia.
Durante aproximadamente três dias quem passava na parte Sudoeste do autódromo de Palmeira assistiu ao deprimente espectáculo da combustão, primeiro viva depois lenta, de um amontoado de pneus que tinham sido utilizados para proteger os carros do embate directo nos railes de protecção que circundam a pista.

Já antes por lá tinha passado e pela forma como os pneus estavam colocados (formando uma autêntica pira) se podia adivinhar que o fim seria colocar-lhes fogo ou “convidar” alguém a fazer o serviço.

Infelizmente assim aconteceu. O problema é que já é a segunda vez que isso ocorre. A primeira vez incendiaram um grande monte de pneus mesmo junto ao cartódromo. Foram muitas as queixas dos residentes da zona.

Tanto quanto sei, os responsáveis pelas instalações (Autódromo? Cartódromo?) terão alegado que alguém incendiou os pneus. É uma desculpa aceitável mas pouco convincente. Terá sido difícil provar o autor do crime.

Desta vez penso que não haverá grandes dúvidas sobre os autores (pelo menos morais) deste atentado ao ambiente. Digo isto pelos seguintes motivos: Porque terão amontoado os pneus daquela forma (formando uma pira)?

Porque os terão colocado naquela parte do autódromo (junto a uma estrada que supostamente é frequentada pelos coitados dos “picas” a quem será fácil atribuir a responsabilidade deste crime)? Porque razão não apagaram o incêndio (existe lá um carro dos bombeiros) ou chamaram as entidades competentes para o fazer? Porque estavam a abrir uma vala para enterrar os resíduos da combustão?

Tudo isto indicia que alguém teve intenção de se livrar da forma mais cómoda e económica daqueles resíduos que ainda por cima podem ser valorizados energeticamente.

Incendiar os pneus a céu aberto é um crime pela poluição que provoca. Enterrar os resíduos é ainda mais criminoso pois as águas pluviais provocarão lixiviados que irão contaminar as águas subterrâneas durante muitos anos.

Para que nunca mais aconteça o que já tem acontecido é preciso que as autoridades actuem com firmeza. A GNR já tem conhecimento da ocorrência, penso que ainda chegou a tempo de evitar que os resíduos fossem enterrados.

Agora é preciso dar andamento ao processo de identificação dos responsáveis e encaminhar o processo para as autoridades judiciais. Se assim não for, tudo fica como dantes e teremos dentro em pouco mais atentados como este. Queimar resíduos é grave.

Enterrá-los contamina as toalhas freáticas para a nossa e para as gerações futuras. E é pena que o método que muitos industriais ainda utilizam impunemente seja este para se desfazerem dos resíduos e entulhos.

Se escavarem no aeródromo de Palmeira verão a quantidade de lixo que tem sido enterrada. Se todos estivermos vigilantes e actuantes (cidadãos e autoridades competentes) estou certo que NUNCA MAIS assistiremos a factos como estes.

É preciso deixar o ar e a água para os nossos filhos pelo menos com a qualidade com que a encontramos. É a saúde pública que está em causa e por ser pública é um problema de todos.




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